Conselho de Segurança condena ataque contra missão da União Africana em Darfur 
02.10.2007 - 20:22 Por AFP
O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou o ataque que no sábado passado vitimou dez soldados da União Africana em missão na região sudanesa de Darfur, considerando “inaceitável” qualquer tentativa para minar as negociações de paz prestes a começar.
“O Conselho de Segurança condena este ataque mortífero”, adianta uma declaração da mais alta instância da ONU, lida pelo embaixador ganês, Leslie Christian, actual presidente em exercício.
Segundo o último balanço, sete soldados nigerianos, dois observadores militares (do Mali e do Botswana) e um polícia senegalês perderam a vida no ataque com "rockets" contra a base de Haskanita, o mais mortífero ocorrido desde a chegada dos sete mil soldados da UA a Darfur, palco há quatro anos de uma guerra civil.
“Qualquer tentativa de pôr em causa o processo de paz [para a região] é inaceitável”, acrescenta a declaração, aprovada por unanimidade após dois dias de discussões.
Ontem, cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança condenaram individualmente o ataque, mas não conseguiram chegar a acordo sobre a forma como seria atribuída a responsabilidade.
O embaixador do Sudão na ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem Muhamad, já se congratulou com a condenação do Conselho de Segurança, dizendo não existirem dúvidas de que foram os rebeldes a atacar a missão da UA. “É preciso isolar estes grupos e dar-lhes uma lição”, afirmou o representante de Cartum, que pela primeira vez não é o alvo das críticas internacionais.
Um responsável que participa nas investigações da UA aos incidentes admitiu à AFP que as suspeitas recaem sobre dissidentes dos dois principais grupos rebeldes de Darfur: o Exército de Libertação do Sudão e o Movimento para a Igualdade e Justiça.
No entanto, um porta-voz da missão de paz disse ser ainda muito cedo para identificar “de forma clara” os responsáveis pelo ataque.
O ataque ocorre numa altura em que se preparam as negociações de paz entre o Governo sudanês e os grupos rebeldes que dizem lutar pelos direitos da população de Darfur. O encontro, com início previsto para dia 27, na Líbia, ocorre meses depois de os principais grupos rebeldes terem chegado a acordo sobre um caderno de reivindicações comuns.

