Hariet Miers, a conselheira da Casa Branca que George W. Bush propôs para o Supremo Tribunal dos EUA, decidiu abdicar da nomeação devido ao tom crescente das críticas dos que a acusavam de não ter qualificações para exercer o cargo.
Num comunicado emitido esta manhã pela Casa Branca, o Presidente norte-americano anuncia "ter aceitado de forma relutante a decisão" de Miers, responsabilizando o Senado pelo recuo da sua conselheira e colaboradora de longa data.
Segundo uma fonte da presidência, Miers comunicou ontem a sua decisão ao Presidente, que deverá anunciar em breve a sua segunda escolha para substituir a juíza Sandra Day O'Connor, que se reformou em Julho.
Na carta em que explica as razões da sua decisão, divulgada esta manhã à imprensa, a conselheira de Bush diz que as audições a que a continuação das audições no Senado (a quem compete confirmar a nomeação) “seria um fardo adicional para a Casa Branca e o seu pessoal, o que não é do melhor interesse da nação”.
Desde que Bush a nomeou para juíza do Supremo, Hariet Miers tem sido alvo de duras criticada: os democratas sublinham a sua demasiada proximidade com o Presidente e a sua falta de experiência para o cargo, já que nunca exerceu qualquer cargo de magistratura; a direita conservadora dizia ter dúvidas sobre a pureza das suas convicções, apesar de Miers ter feito campanha no passado pela ilegalização dao aborto.
A razão imediata para a desistência assenta, aliás, no facto de vários senadores conservadores terem pedido acesso a documentos relativos ao serviço prestado por Miers na Casa Branca, a fim de determinar a sua aptidão para as novas funções – uma exigência que a Administração recusou alegando que se trata de informação confidencial.
Este facto levou Harry Reid, líder dos democratas no Senado, a afirmar que "a direita radical do Partido Republicano foi a responsável pela morte da nomeação de Miers", enquanto o senador Edward Kennedy apelou ao Presidente para que na próxima nomeação "ouça todos os americanos e não apenas a extrema-direita".
Antes de Bush ter anunciado a escolha de Miers, no passado dia 3, havia especulações sobre a possibilidade de o Presidente nomear para o cargo algum dos seus colaboradores mais leais: o Attorney General (cargo equivalente a ministro da Justiça) Alberto Gonzales, que seria o primeiro hispânico a aceder à mais alta instância judicial norte-americana, ou Larry Thompson, um advogado negro que foi adjunto do anterior responsável máximo da Justiça, John Ashcroft.



