Congresso americano chega a acordo para aprovação do pacote de estímulo económico

11.02.2009 - 20:13 Por Rita Siza, Washington
Os senadores e congressistas americanos reunidos em conferência chegaram a um acordo de compromisso para a aprovação do “Plano de Recuperação e Reinvestimento” na economia, e deverão avançar já amanhã para uma votação final, a tempo do Presidente Barack Obama assinar a legislação antes do feriado do Dia dos Presidentes.
“Conseguimos ultrapassar as nossas diferenças e acreditamos que temos os votos necessários [para aprovar o plano]”, anunciou o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid ao início da tarde.
A proposta definitiva que o Congresso vai apresentar ao Presidente Barack Obama tem um valor total de 789 mil milhões de dólares, ligeiramente abaixo do tecto de 800 mil milhões de dólares reclamados pela Administração. Segundo foi anunciado, 35 por cento do dinheiro será gasto com cortes e benefícios fiscais para as famílias e as empresas, e 65 por cento destina-se a projectos de infraestruturas, educação ou saúde e ainda ao financiamento extraordinário dos programas de apoio a desempregados ou assistência social a cargo dos estados.
A conferência de líderes tinha como tarefa reconciliar as duas versões do pacote de estímulo económico aprovadas pelo Senado e Câmara de Representantes, e que não só tinham valores distintos como distribuíam o dinheiro segundo diferentes prioridades. Numa verdadeira maratona negocial, que durou toda a noite e madrugada de terça-feira, as duas bancadas políticas do Congresso aceitaram fazer concessões às suas posições de princípio de forma a encontrar uma solução de consenso.
Assim, os democratas aceitaram mais cortes na despesa, enquanto os republicanos concordaram em manter a ênfase do programa no investimento (em detrimento dos cortes fiscais). Os créditos fiscais que a Administração queria que fossem de 1000 dólares por agregado familiar ou 500 dólares por contribuinte acabaram por ser fixados em 800 dólares e 400 dólares, respectivamente.
“O compromisso que estabelecemos prevê a criação de mais postos de trabalho do que a versão da lei do Senado e custa muito menos dinheiro do que a proposta original da Câmara de Representantes”, referiu Harry Reid.
Desde o início da semana, o Presidente Barack Obama tem viajado por diferentes partes do país para explicar directamente às populações o âmbito e os objectivos do seu plano de recuperação económica. De acordo com a Casa Branca, o pacote permitirá proteger ou criar três a quatro milhões de novos postos de trabalho.
Obama esteve em Springfield, na Virgínia, a visitar o estaleiro de uma nova via rápida cuja construção parou por falta de financiamento. O governador daquele estado, Tim Kaine, garantiu que o projecto seria concretizado com os fundos disponíveis no “Plano de Recuperação e Reinvestimento”. Pelo seu lado, Obama informou que o presidente da Caterpillar, a maior companhia americana de equipamento de construção, lhe disse que a empresa estaria em condições de voltar a contratar alguns dos 20 mil trabalhadores despedidos este mês se o pacote de estímulo avançasse.
Notícia actualizada às 21.21


