A eventual transferência do Comando Militar Africano dos Estados Unidos (Africom) da actual sede em Estugarda, na Alemanha, para a Base das Lajes, nos Açores, é um dos objectivos da agenda dos congressistas americanos de ascendência portuguesa e ligados ao Portuguese Caucus do Congresso norte-americano.
“Portugal é o único ponto na Europa onde faz sentido estar instalado o Africom”, declarou o republicano Devin Nunes.
A mudança da Alemanha para os Açores, ou mesmo para o continente, justifica-se pela proximidade com África e pela experiência do país com as questões africanas. “A presença histórica e o papel proeminente que Portugal desempenha em África torna-o um actor fundamental”, acrescentou o seu correlegionário Jim Costa, também da Califórnia.
O projecto, que segundo esclareceu ao PÚBLICO Jim Costa, é para já uma “ideia ainda sem o formato de uma proposta oficial”, tem sido bem recebido por outros agentes no Congresso. Contudo, a decisão não depende dos legisladores mas sim do Departamento da Defesa. “Terá de ser a Administração a abraçar esta ideia e promover a respectiva mudança [do comando militar]”, acrescentou.
Como precisou Devin Nunes, “é um projecto a longo prazo”, que envolve o estabelecimento de um novo acordo de cooperação com o governo português para a utilização da base açoriana — os dois países estão em negociações para a utilização da infra-estutura como plataforma de treinos e testes de caças americanos.
Devin Nunes e Jim Costa pediram ontem a ajuda dos outros políticos descendentes de portugueses ou luso-americanos, para “influenciar” o processo de decisão política.
Os congressistas participavam num encontro de eleitos nos vários níveis de governo americano promovido pela Embaixada de Portugal em Washington. Foi a primeira vez que mayors, congressistas estaduais e federais, juízes e outros representantes com ligações a Portugal se reuniram para discutir problemas e desafios comuns.
O Africom foi estabelecido no final de 2007, para coordenar as relações militares dos Estados Unidos com África. Mas o seu âmbito não é apenas militar, uma vez que na sua estrutura estão representados os vários níveis do governo americano envolvidos nas questões africanas, como o Departamento de Estado e a Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e ainda organizações humanitárias que trabalham em parceria com os Estados Unidos.


