Vidros de janelas de bancos partidos, dois carros incendiados, um anexo do Ministério da Defesa atacado. Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se no centro de Roma e houve confrontos com a polícia de que resultaram em vários feridos.
A capital italiana foi o cenário de um dos mais violentos protestos que neste sábado decorrem em mais de 900 cidades de todo o mundo. Um grupo de manifestantes atirou garrafas e cocktails molotov contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e canhões de água para procurar dispersar os manifestantes.
Os vidros de vários bancos foram partidos, alguns manifestantes deitaram fogo a um anexo do Ministério da Defesa, a meio da tarde, e outros manifestantes encapuzados incendiaram duas viaturas.
Nas ruas de Roma ouviram-se palavras de ordem como “Uma só solução, a revolução!” ou “”Não somos bens nas mãos dos banqueiros”. A violência dos protestos levou o presidente da autarquia de Roma, Gianni Alemanno, a ordenar o encerramento de todos os museus na capital italiana.
Nas ruas da cidade, centenas de manifestantes de rosto coberto partiram vidros das janelas de bancos e outras lojas, incendiaram carros e caixotes do lixo, adiantou a Reuters. Pelo menos 30 polícias ficaram feridos, e também pelo menos dois manifestantes, tendo um deles ficado em estado grave, adiantou a agência britânica.
O protesto tinha começado de forma pacífica, mas tornou-se violento depois de se lhe terem juntando alguns manifestantes radicais do grupo “black blocs”. Houve incidentes perto do Coliseu, onde milhares de pessoas se manifestam contra a precariedade e o poder financeiro. Uma coluna de fumo elevou-se ao início da tarde naquele local, para onde foram mobilizados os bombeiros
Pouco depois do início da manifestação, pequenos grupos arremessaram sinais de trânsito contra as janelas de dois bancos, antes de fugirem e se confundirem com a multidão, conta a agência AFP. De acordo com a agência italiana Ansa, os manifestantes tentaram travar um outro grupo de agitadores, com máscaras negras, mas isso não impediu a violência.
“Os jovens têm razão em estar indignados”, comentou hoje o governador do Banco de Itália, Mario Draghi, aos jornalistas à margem da reunião do G20 em Paris. “Estão em cólera contra o mundo das finanças, compreendo-os", acrescentou.
Horas após o início das manifestações a polícia estava ainda a procurar dispersar manifestantes com gás lacrimogéneo na Piazza San Giovanni, no centro da cidade. Pierluigi Bersani, líder do Partido Democrático italiano, o líder da oposição, considerou “inaceitável a violência e devastação nas ruas de Roma”. Referindo-se aos grupos mais radicais, disse que “aqueles que estão a levar a cabo o que nada menos do que guerrilha urbana estão a prejudicar a causa das pessoas de todo o mundo que estão a procurar manifestar o seu descontentamento com a situação económica global.”
Em Itália o Governo de Silvio Berlusconi, que esta semana sobreviveu a uma moção de confiança no Parlamento, aplicou medidas de austeridade que rondam os 60 mil milhões de euros.



