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Oposição não reconhece vitória do filho do ex-Presidente

Confrontos no Togo fazem onze mortos e uma centena de feridos

27.04.2005 - 13:02 Por AFP, PUBLICO.PT

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A oposição denuncia a existência de fraudes maciças nas eleições de domingo A oposição denuncia a existência de fraudes maciças nas eleições de domingo (Ben Curtis/AP)
Pelo menos onze pessoas morreram e 95 ficaram feridas nos confrontos que desde a tarde de ontem opõem as forças de segurança do Togo aos apoiantes da oposição, derrotada nas eleições presidenciais de domingo passado.

Os confrontos começaram assim que foram anunciados os resultados provisórios do escrutínio, que atribuíram a vitória a Faure Gnassingbé, filho do falecido Presidente do Togo e candidato do partido no poder. Os manifestantes incendiaram pneus e montaram barricadas nas principais ruas de Lomé, bastião da oposição.

A polícia tentou dispersar os manifestantes com granadas de gás lacrimogéneo, mas rapidamente a situação degenerou em confrontos, havendo indicação de tiroteios nalguns bairros da cidade. Em várias zonas da cidade registaram-se também saques a lojas, reprimidos com violência pela polícia.

Segundo fontes hospitalares, citadas pela AFP, "dos 95 feridos, 90 por cento foram atingidos por balas", dois dos quais estão em estado grave. O número de vítimas mortais poderá ser mais elevado do que o balanço oficial, que contabiliza apenas os feridos que faleceram já no Centro Hospitalar de Tokoin, a principal unidade de saúde da capital togolesa.

Após alguma acalmia registada durante a noite, os jovens apoiantes da oposição saíram novamente à rua esta manhã para denunciar o que dizem ser "fraudes maciças" nas eleições de domingo, voltando a registar-se confrontos com a polícia.

Segundo a comissão eleitoral, Gnassingbé conquistou 60,2 por cento dos votos nas presidenciais, contra os 30,2 por cento obtidos por Emmanuel Akitani Bob, apoiado por seis partidos da oposição.

Os protestos contra a vitória do candidato no poder ameaçam prolongar a crise vivida no Togo desde a morte súbita de Gnassingbe Eyadema, que governou este pequeno país da África Ocidental durante 38 anos. Após a morte de Eyadema, o Exército e o Parlamento proclamaram o seu filho Faure Gnassingbé como Presidente, mas a pressão internacional e os protestos da oposição acabaram por levar o partido no poder a convocar eleições.

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