Ocorreram vários confrontos no estado de Nilo Azul, a terceira área fronteiriça do Sudão a ser palco de conflitos desde a independência do Sudão do Sul em Julho.
O partido do governador do Nilo Azul, Malik Agar, afirmou que soldados do Norte atacaram a sua residência oficial. O Exército responsabiliza as forças de Agar, um ex-comandante das forças rebeldes que lutaram pela independência do Sul.
O Sudão afirma que as forças de Malik Agar atacaram edifícios do Governo na capital do Nilo Azul, Ad- Damazin. “As forças armadas sudanesas responderam a este ataque e afastaram os rebeldes. O Governo controla agora Ad-Damazin e a área circundante”, disse o porta-voz do Governo, Rabbie Abdelatti, à BBC. Residentes e uma fonte da ONU relataram que os combates começaram na quinta-feira à noite e que tiroteios continuam a fazer-se ouvir na capital.
Malik Agar lidera o partido da oposição Movimento Popular de Libertação do Sudão no Norte (SPLM) e foi um comandante dos rebeldes que agora governam o Sudão do Sul.
O Governo negou as acusações de que as suas forças terão levado a cabo uma limpeza étnica na área contra grupos considerados pró-sul. Também em Abyei foram relatados confrontos, reivindicados por ambas as partes.
Na terça-feira, o Governo do Sudão fez uma queixa ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, acusando o partido no poder do Sudão do Sul de estar a apoiar os rebeldes separatistas que continuam do lado Norte da fronteira entre os dois países .
James Copnall, correspondente da BBC em Juba, capital do Sudão do Sul, diz que esta é a primeira grande vaga de confrontos no Nilo Azul desde que o conflito entre o norte e o sul terminou em 2005. Porém, esta é uma região que esteve sempre em risco, uma vez que está na fronteira e está dividida entre os apoiantes do Governo do Presidente Omar al-Bashir e do SPLM.
No mês passado, um relatório da ONU disse que tanto o Governo de Cartum como as forças rebeldes cometeram crimes de guerra na área, mas que as acções do Exército foram “especialmente escandalosas”, o que inclui execuções sumárias e bombardeamentos aéreos em bairros.
Quando o Sudão do Sul se separou do norte, a 9 de Julho, o líder do novo Estado, Salva Kiir, garantiu que trabalharia com Bashir de forma a garantir que os direitos dos rebeldes no norte seriam respeitados.



