Três pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas, esta tarde, em Gaza, durante confrontos que envolveram facções rivais, desencadeados pela morte de um dos principais dirigentes de um grupo radical palestiniano.
Abu Youssef al-Quqa, dirigente dos Comités de Resistência Popular (CRP), morreu na explosão do carro em que seguia, esta manhã, junto a uma das principais mesquitas da cidade.
Segundo um porta-voz do movimento, Al-Quqa e outros dirigentes do grupo estiveram reunidos para planear novos ataques contra alvos israelitas. "Ele disse que sabia que ia ser morto em breve", afirmou Abu Abir, porta-voz da facção.
O CRP é um grupo radical que integra antigos activistas de outras facções nacionalistas e islamistas palestinianas, tendo recusado a trégua imposta no início de 2005 pelo presidente palestiniano Mahmoud Abbas.
O grupo reivindicou vários ataques com "rockets" contra Israel, mas o Exército hebraico negou a autoria da explosão que matou Al-Quqa. "Não fomos nós", garantiu um porta-voz militar israelita, em declarações à AP.
Contudo, esta tarde, durante o funeral de Al-Quqa, activistas do CRP responsabilizaram o Exército israelita pela morte do dirigente e acusaram vários oficiais dos serviços de segurança palestinianos de colaborarem "com o inimigo sionista". O próprio porta-voz do movimento identificou vários dos "traidores", a quem ameaçou "decapitar".
De imediato, a confusão tomou conta do local, com activistas do CRP a envolverem-se em trocas de tiros com militantes da Fatah, a facção liderada por Abbas, e que continua a dominar as forças de segurança palestinianas.
Pelo menos três pessoas morreram na troca de tiros e duas dezenas ficaram feridas, sete das quais com gravidade. Fontes hospitalares, contactadas pela AFP, dizem não saber se as vítimas são civis ou militantes envolvidos nos confrontos.
O presidente palestiniano, através do seu porta-voz, já apelou à calma, ordenando "a todos os activistas armados para abandonarem as ruas".
O Hamas, que controla o novo Governo palestiniano, repetiu o apelo, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mahmoud al-Zahar, responsabilizou Israel pelo regresso da violência a Gaza. "O ataque significa que a agressão israelita não acabou e que a nossa resistência deve continuar", afirmou.



