O conflito na Líbia já fez 10 mil mortos e 55 mil feridos, afirmou hoje em Roma o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Franco Frattini, citando o chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafá Abdeljalil, com quem se encontrou hoje. O CNT reúne opositores ao regime de Muammar Khadafi.
“O presidente Abdeljalil falou-nos de 10 mil mortos na Líbia, vítimas do regime sanguinário, e de 50 mil feridos”, declarou à imprensa Franco Frattini.
Perante este cenário, o chefe da diplomacia italiana prometeu a Abdeljalil “aumentar o número de feridos graves que poderão ser recebidos nos hospitais italianos”, recordando que 25 feridos líbios estão já hospitalizados no norte de Itália desde a semana passada.
De acordo com a ONU, o governo líbio prometeu entretanto o acesso das equipas médicas a algumas áreas que estão sob o seu controlo, relata a ONU. Este acordo permite que os trabalhadores humanitários se possam estabelecer em Trípoli e possam entrar e sair do país quando quiserem.
Estima-se que só na cidade de Misurata - onde os confrontos entre as forças leais a Khadafi e os rebeldes se intensificaram nos últimos dias - tenham morrido cerca de mil pessoas nas últimas seis semanas, de acordo com fontes médicas citadas pela AFP. Os rebeldes dizem que a cidade está a ser palco de um “autêntico massacre”.
Por outro lado, estima-se igualmente que nas últimas 48 horas tenham morrido mais de cem pessoas em Nalut e em Yefren, duas cidades a sudoeste de Trípoli, de acordo com habitantes da região.
Um mês depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado a resolução que autoriza o uso da força na Líbia para protecção dos civis - intervenção essa que se limita aos ataques aéreos contra as instalações estratégicas para o regime de Khadafi - o deputado e presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia Nacional francesa, Axel Poniatowski, pediu ontem que a NATO envie tropas terrestres para a Líbia a fim de evitar um “afundamento inútil” da intervenção.
Já o ministro francês da Defesa, Gérard Longuet, disse ontem que “o problema” para as tropas da coligação é que “faltam informações concretas e verificáveis sobre os objectivos identificados em terra”.
Notícia actualizada às 10h49



