A condenação à morte do antigo Presidente iraquiano Saddam Hussein está a gerar receios por parte de alguns líderes políticos sobre os seus impactes no futuro do Iraque, nomeadamente, que venha agravar as actuais divisões.
O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, apelou hoje aos iraquianos para não interpretarem esta condenação como uma porta aberta ao desmembramento do país.
“A unidade do Iraque é muito importante e, por isso, deverá continuar”, disse Gul, alertando para o perigo do Iraque “mergulhar no caos”.
Ancara já tem tentado dissuadir os curdos do Iraque de proclamar a sua independência.
Moscovo também se diz preocupado com as “consequências catastróficas” para o Iraque se Saddam for enforcado. Em caso de execução, “isso trará consequências catastróficas para o Iraque, que já se encontra no limite”, reagiu o presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento russo, Konstantin Kossatchev, do partido no poder Rússia Unida, à rádio Eco de Moscovo. “É evidente que esta condenação vai dividir ainda mais a sociedade iraquiana. Os sunitas não vão reconhecer esta sentença”.
A França espera que esta decisão não leve a novas tensões no Iraque, disse o chefe da diplomacia Philippe Douste-Blazy, em comunicado.
“No actual clima de violência no país, espero que esta decisão não gere novas tensões e que os iraquianos, qualquer se seja a sua origem, saibam ter calma”.
O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, expressou hoje a sua grande preocupação, salientando que “desde a intervenção militar no Iraque até hoje, a situação só se tem agravado”.
“Registamos um número alarmante de mortos por dia e, deste ponto de vista, não existem hoje perspectivas de consolidação de uma estabilidade e de uma paz no Iraque”, acrescentou Zapatero.



