O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, afirmou hoje que a condenação à morte do antigo ditador Saddam Hussein marca o fim de um “período negro” para o Iraque. No Médio Oriente houve reacções mistas, com manifestações de contentamento do Kuwait, do Irão e dos xiitas iraquianos e sinais de cólera por parte do Hamas palestiniano e dos sunitas iraquianos.
“O veredicto de hoje faz justiça às famílias de Dujail e a todas aquelas que sofreram com a injustiça do ditador”, disse Maliki numa declaração lida na televisão pública Iraqia. “A execução do criminoso Saddam e dos seus cúmplices jamais pode ser comparada a uma única gota de sangue derramada pelos nossos mártires”, disse o chefe do Governo iraquiano, de origem xiita. “Com este veredicto é todo o período de Saddam que é julgado e não apenas ele”, acrescentou. O Presidente do Iraque, Jalal Talabani, recusou-se a comentar a decisão anunciada hoje.
Saddam Hussein e dois dois dos seus antigos colaboradores mais próximos foram hoje condenados à morte por enforcamento pelo sua responsabilidade na morte de 148 habitantes xiitas de Dujail em 1982. Um dos acusados foi absolvido e outros três, todos dirigentes do partido Baas, foram condenados a 15 anos de prisão. O ex-vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, foi condenado a prisão perpétua pelos mesmos crimes.
Os xiitas iraquianos, maioritários no Iraque mas oprimidos durante o regime do antigo ditador, manifestaram a sua alegria em Bagdad, apesar do recolher obrigatório imposto pelas autoridades.
Por seu lado, nos bastiões sunitas, o anúncio da condenação à morte de Saddam foi recebido com protestos.
O Kuwait, país ocupado pelo Exército iraquiano em 1990, ainda não divulgou nenhuma reacção oficial, mas nas ruas a notícia foi recebida com aplausos, gritos e lágrimas de alegria.
O Irão, que travou uma guerra de oito anos com o Iraque de Saddam (1980-88), congratulou-se com o veredicto e exigiu que o antigo ditador fosse também julgado pelos crimes cometidos dutante o este conflito.



