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Juízes e jurados recusaram dúvidas sobre as provas forenses

Condenação de Amanda não desfaz mistério da morte de "Mez"

06.12.2009 - 11:57 Por Margarida Santos Lopes

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Knox e Sollecito foram incriminados por assassínio e ofensas sexuais, e terão de desembolsar, cada um, cinco milhões de euros de indemnização aos Kercher Knox e Sollecito foram incriminados por assassínio e ofensas sexuais, e terão de desembolsar, cada um, cinco milhões de euros de indemnização aos Kercher (Alessandro Bianchi/Reuters)
Por volta das 9 da noite de Novembro de 2007, a estudante inglesa de 21 anos Meredith Kercher (ou "Mez", como era carinhosamente tratada), regressou à sua residência universitária, na cidade italiana de Perugia, depois de ter estado em casa da amiga Sophie Purton a ver um filme romântico. No dia seguinte, por volta das 13h15, o seu corpo quase nu foi encontrado numa poça de sangue por dois agentes da polícia que, logo ali, suspeitaram que ela tinha sido forçada a ajoelhar-se com o rosto no chão, violada sob a ameaça de uma faca, estrangulada e degolada.

Na sexta-feira, depois de dois anos de investigação e 11 meses de um julgamento mediático, mais dois suspeitos (o primeiro, Rudy Guede, imigrante da Costa do Marfim, já está a cumprir 30 anos de cadeia) foram condenados pelo crime: a americana Amanda Knox, colega de apartamento de Kercher, e o seu namorado, o italiano Raffaele Sollecito.

Dois juízes e seis jurados anunciaram o veredicto após quase 12 horas de deliberação: 26 anos de prisão para Knox e 25 para Sollecito. Ambos clamaram inocência, e culpam Guede, 22 anos, cujo ADN estava espalhado por todo o local do crime, incluindo numa impressão digital com sangue e em amostras indicando que ou tinha violado Kerscher ou havia mantido relações sexuais consentidas com ela.

Knox e Sollecito foram incriminados por assassínio e ofensas sexuais, e terão de desembolsar, cada um, cinco milhões de euros de indemnização aos Kercher, além de suportarem todos os custos do processo. Knox foi ainda intimada a indemnizar, com 55 mil euros, o congolês Patrick Lumumba, dono de um bar onde ela trabalhava, por o ter difamado, acusando-o de ter cometido o homicídio.

Os pais dos réus já anunciaram que vão recorrer. Os pais da vítima mostraram-se "satisfeitos" com a sentença - embora a acusação tivesse pedido prisão perpétua e em isolamento -, mas ressalvaram: "Este nunca foi um caso para receber dinheiro, mas para que fosse feita justiça."

Assim que ouviu a pena, Amanda começou a chorar e apoiou-se no peito do seu advogado Luciano Ghirga. Raffaele, um estudante de informática filho de um rico e respeitado urologista, Francesco Sollecito, permaneceu impassível. Ela saiu do tribunal a soluçar, amparada por dois guardas. Na sala, também havia lágrimas nos rostos de familiares e amigos, que gritavam palavras de encorajamento aos condenados.

Que motivo?

O caso pode ter sido encerrado, não obstante os recursos, mas há muitas questões por explicar, salientam analistas. "Parece uma grande história criminal, como nas séries de tv", observou Gianluca Nicoletti, da Rádio Il Sole 24 Ore, citado pelo jornal "New York Times". "Mas de que estamos a falar? Quem matou [Meredith]? Com quê? Com que motivo?"

Nos argumentos finais, o principal procurador, Giuliano Mignini, alegou que Knox, de 22 anos, alcoolizada e sob efeito de drogas, irritada por Kercher criticar a sua "promiscuidade e higiene", convenceu Sollecito e Guede a fazerem sexo em grupo, terminando a orgia em homicídio. Como arma do crime, Mignini apresentou uma faca de cozinha encontrada num armário de Sollecito, com ADN de Knox no cabo e de Kercher na ponta.

Os advogados de defesa, por seu turno, alegaram que o ADN "estava contaminado" e não podia ser uma "prova credível, além de que a lâmina da faca não correspondia aos ferimentos no corpo de Kerscher.

Os juízes e jurados ficaram convencidos com a reconstrução do crime feita pela acusação e pelos depoimentos que ouviram sobre o "estranho comportamento" de Knox após o assassínio - ela vangloriar-se de ter "encontrado" o corpo, o conhecimento detalhado do local do crime, o seu estilo de vida em Perugia, o facto de ela e Sollecito terem desligado os telefones três horas antes de Kercher ter sido morta, as frequentes vezes que mudou a sua versão dos acontecimentos e a incapacidade de Sollecito de corroborar a afirmação de Knox de que tinha estado com ele no seu apartamento.

Acima de tudo, observou o diário britânico "The Times", os jurados terão ficado impressionados com o testemunho de Manuela Comodi, a procuradora adjunta, que levou um dos seus soutiens para o tribunal, para demonstrar como poderia ter sido arrancado do corpo de Meredith e porque, no caso desta, continha o ADN de Sollecito. "Vivemos numa era de violência sem motivo", disse Comodi. "A verdade absoluta é impossível". O que prevaleceu, concluiu o "Times", "foi a lógica" de todo o processo.

O sonho de Meredith

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Dois pesos e duas medidas?

Desde o início que acompanhei o caso, pela imprensa internacional. As provas que incriminavam ...

Marta Silva

06.12.2009 13:12

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