Condecoração para Guterres e Jaime Gama pelo contributo dado para a independência de Timor

30.08.2009 - 11:10 Por PÚBLICO
O antigo primeiro-ministro português António Guterres e o ministro dos Negócios Estrangeiros dessa altura, Jaime Gama, foram hoje condecorados em Díli com a Ordem de Timor-Leste, pela forma como contribuíram para a concretização do referendo em que há dez anos a população do território optou pela independência.
“Agradeço-lhe, Jaime Gama, a sua paciência inesgotável, a serenidade perante a adversidade e a sua grande capacidade como diplomata”, disse o chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, virando-se para o actual presidente da Assembleia da República.
Guterres, hoje em dia Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, e Gama deslocaram-se este fim-de-semana a Díli com o actual chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, para as celebrações do décimo aniversário da consulta popular em que mais de três quartos da população disse querer ser independente.
Por outro lado, no seu discurso, Ramos-Horta evocou o ex-ministro indonésio dos Negócios Estrangeiros, Ali Alatas, “um adversário formidável, encantador, cativante, com uma energia inesgotável”, que assinou com Jaime Gama os acordos de Nova Iorque, a 5 de Maio de 1999, desenhando o modelo da consulta popular, que chegou a estar marcada para 8 de Agosto e depois foi adiada para 30 de Agosto de 1999.
O Presidente voltou a rejeitar a ideia de um tribunal internacional para julgar os crimes cometidos durante a presença indonésia no seu país, mas pediu a Jacarta que entregue os restos mortais de Nicolau Lobato, Presidente da primeira República de Timor-Leste, proclamada pela Fretilin em Novembro de 1975 e logo a seguir esmagada pela invasão.
Para além dos dois políticos portugueses, também o general australiano Peter Cosgrove, comandante das forças internacionais que ajudaram os timorenses depois do referendo, foi hoje condecorado com o colar da Ordem de Timor-Leste.
As cerimónias principiaram com cerca de 45 minutos de atraso, enquanto se aguardava a chegada do chefe da diplomacia indonésia, Hassan Wirajuda.
Notícia actualizada às 13h00


