Comparação das críticas à Igreja ao anti-semitismo “não é a linha do Vaticano”

03.04.2010 - 12:42 Por PÚBLICO
O paralelo traçado na sexta-feira entre os ataques contra o Papa e “o pior do anti-semitismo” não corresponde à linha de pensamento da Igreja Católica, afirmou hoje o porta-voz da Santa Sé.
“Relacionar os ataques contra o Papa pelo escândalo de pedofilia com o anti-semitismo não é a linha seguida pela Santa Sé”, disse o padre Federico Lombardi, em declarações à Rádio Vaticano.
Sexta-feira, durante as celebrações da Sexta-Feira Santa, e na presença de Bento XVI, um pregador apostólico comparou as acusações de que a Igreja foi alvo das últimas semanas “aos aspectos mais vergonhoso do anti-semitismo”. Fê-lo ao ler uma carta de “solidariedade” ao Papa e à Igreja que disse ter recebido de um “amigo judeu”.
Segundo Lombardi, o padre Raniero Cantalamessa "quis apenas afirmar publicamente a solidariedade em relação ao Papa expressa por um judeu à luz da experiência de dor particular experimentada pelo seu povo”.
Interrogado pelo canal de notícias SKY TG24, Lombardi garantiu que comparar as críticas à Igreja com o anti-semitismo “nunca foi a intenção” de Cantalamessa, que é pregador do Vaticano desde 1980 e o único que pode pregar para o Papa.
“A utilização do estereótipo, a passagem da responsabilidade e da culpa pessoal à culpa colectiva lembraram-me os aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo”, disse o padre Raniero Cantalamessa, citando a carta recebida.
Nas últimas semanas têm sido conhecidas dezenas de denúncias de abusos sexuais contra crianças e jovens por parte de membros da Igreja em vários países europeus. Na imprensa alemã e norte-americana, Bento XVI foi acusado de ter mantido silêncio sobre abusos de que teria conhecimento quando era arcebispo em Munique e nos 24 anos em que dirigiu a Congregação para a Doutrina da Fé, antes de se tornar Papa, em 2005.


