Símbolo

Como Guy Fawkes se tornou no herói do Occupy

06.11.2011 - 13:54 Por Dulce Furtado

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Manifestação no dia 15 de Outubro, no Porto Manifestação no dia 15 de Outubro, no Porto (Foto: Paulo Pimenta)
A estilizada máscara foi popularizada pelo filme V de Vingança, que reabilitou o traidor católico em defensor da liberdade.

É uma cara diabólica: o sorriso de malícia, e os bigodes fininhos pretos revirados para cima mais a pêra minúscula no queixo, num rosto sinistramente pálido - a cara de Guy Fawkes, católico britânico levado à forca pela traição do 5 de Novembro, tornou-se num símbolo dos grupos anticapitalistas, que a usam como máscara nos protestos pelo mundo inteiro. Mas quantos se lembram - e lembram-se mesmo? - do 5 de Novembro?

"Algumas pessoas usam a máscara por moda, outras sabem o que ela representa. Eu tenho-a para mostrar o meu apoio à mensagem contra a tirania e fazer parte deste movimento global de contestação e de cidadania", contava à Reuters um dos manifestantes que há semanas acampam em frente da catedral de São Paulo, no centro financeiro de Londres, e que sábado marcharam em direcção ao Parlamento usando a enigmática caraça de Fawkes.

De Londres a Nova Iorque, e em centenas de outras cidades americanas, europeias e asiáticas, milhares de pessoas têm envergado esta máscara nas manifestações contra a avidez dos bancos e das grandes empresas e a crise financeira mundial, mais de 400 anos depois de Guy Fawkes ter tentado - e falhado - fazer explodir o edifício do Parlamento britânico e derrubar a monarquia protestante de Jaime I, num protesto contra a perseguição religiosa no Reino Unido.

A "carreira" revolucionária da máscara foi iniciada pelo grupo de activistas e piratas informáticos Anonymous, que a assumiram como "cara pública" em 2008, numa manifestação de rua contra a Igreja da Cientologia nos Estados Unidos. Esta máscara, popularizada dois anos antes com o filme V de Vingança, deu resposta à necessidade dos membros do grupo de proteger as suas identidades e, ao mesmo tempo, simbolizar a defesa pelos direitos individuais.

A história do protagonista do filme - adaptada para o cinema pelos irmãos Wachowski a partir dos livros de Alan Moore e David Lloyd -, afinal, é a de um homem contra o sistema, um misterioso herói que luta contra um regime fascista e consegue, onde Fawkes falhou, rebentar com o Parlamento britânico. No final, uma multidão com máscaras do rebelde assiste ao espectáculo do edifício a arder.

A cara da "traição"

Mas esta não foi sempre a imagem de Fawkes. Ao longo de gerações, os britânicos assinalam o 5 de Novembro como o dia em que um traidor foi apanhado com quilos de explosivos nas caves do Parlamento. Desde então são acesas fogueiras, lançado fogo-de-artifício e queimadas efígies do rebelde católico, num aviso a quaisquer aspirantes a cometer traição: que se lembrem, lembrem-se, do 5 de Novembro de 1605.

Fawkes e cúmplices na Conspiração da Pólvora foram presos e torturados ao longo de quatro dias na Torre de Londres, julgados e condenados à morte por enforcamento, seguida de arrastamento dos cadáveres pelas ruas e esquartejamento dos corpos.

Ficou para a história que o "bicho papão" do Reino Unido, por sorte ou ajuda (as teses divergem), não morreu na forca: tropeçou ao subir para o cadafalso e partiu o pescoço na queda. Numa coisa os historiadores concordam: Guy Fawkes não era um combatente contra o sistema, antes um arreigado monárquico que apenas queria ver o rei protestante substituído por um católico.

Reabilitado pelos comics

A transformação de Fawkes no actual ícone da liberdade individual e da democracia, e já desprovido da mensagem religiosa, foi feita pelo ilustrador David Lloyd nas novelas gráficas V de Vingança. Foi ele que criou a imagem original da máscara para ser usada pelo protagonista da história escrita pelo grão-mestre dos comics Alan Moore.

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anonymous

o que a maioria nao sabe é que foram os anonymous que promoveram o movimento occupy wall street. ...

Anónimo

08.11.2011 10:34

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