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Países do Sul da Europa reunidos em Madrid

Comissária europeia admite divergências profundas sobre imigração

29.09.2006 - 14:15 Por Lusa, PUBLICO.PT

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Benita Ferrero-Waldner considera que cabe aos Estados membros procurar uma política comum Benita Ferrero-Waldner considera que cabe aos Estados membros procurar uma política comum (Ballesteros/EPA)
A comissária europeia para as Relações Exteriores admitiu hoje que os Estados membros da União Europeia têm posições "muito diferentes" perante a imigração, apesar de todos destacarem a importância da adopção de uma política comum nesta matéria.

Num encontro com os jornalistas à margem da cimeira interministerial sobre o tema, que está a decorrer em Madrid, Benita Ferrero-Waldner admitiu que "não será fácil" conciliar posições "nem definir uma política europeia comum de imigração e integração".

"São os Estados membros que têm de apostar na política comum. Através da discussão e do debate conseguiremos avançar, mas não será fácil. Não será hoje nem amanhã, porque efectivamente as posições são muito diferentes", explicou a comissária.

Princípio de harmonização "é incontornável"

Os ministros dos Negócios Estrangeiros e do Interior de oito países do Sul da Europa, entre os quais Portugal, estão hoje reunidos em Madrid para analisar o problema da imigração ilegal.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que lidera a delegação portuguesa, disse ontem que "é incontornável" um avanço no sentido da criação de "um princípio de harmonização" da política de imigração europeia.

A comissária europeia revê-se nas declarações de Luís Amado: "Do meu ponto de vista, a única fórmula verdadeiramente efectiva de abordar a pressão migratória que, infelizmente não diminuirá facilmente, é estabelecer uma política europeia comum de imigração e integração", disse.

"Esse tem que ser o nosso objectivo e devemos começar a reflectir sobre hoje e o futuro", afirmou ainda.

França contesta medidas de regularização extraordinária

Apesar da existência de "alguns pontos comuns", ficaram evidentes divergências na abordagem ao problema, com o ministro do Interior francês a criticar os processos de regularização extraordinária de imigrantes, semelhante ao que foi levado a cabo no ano passado em Espanha. Nicolas Sarkozy considera que a atitude de Madrid serviu de estímulo à recente onda de imigração ilegal, por ter permitido legalizar 500 mil ilegais em 2005.

O Governo espanhol respondeu às críticas, afirmando que os imigrantes regularizados nesse processo já estavam em Espanha e, como tal, não viajaram por qualquer esperança de amnistia.

Nesse sentido, Madrid afirmou preferir uma política multidisciplinar que abranja tanto o controlo e a segurança da fronteira marítima a Sul como medidas de acolhimento e políticas comuns de repatriação.

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