O julgamento do único suspeito sobrevivente dos ataques de Bombaim, que em Novembro causaram a morte de mais de 170 pessoas, começou esta manhã na capital financeira da Índia. Mohammed Ajmal Amir Kasab, de 21 anos, disse que é do Paquistão e que não tem advogado. E riu-se quando o juiz lhe perguntou se compreendia as acusações.
Mohammed Ajmal Kasab está detido numa prisão de alta segurança e o seu testemunho foi dado através de videoconferência. Tal como os testemunhos de dois indianos, Fahim Ansari e Sabauddin Ahmed, acusados de pertencerem ao grupo Lashkar-e-Taiba, ao qual é atribuída a responsabilidade pelos ataques.
Por razões de segurança, Kasab não foi levado ao tribunal e acompanhou a audiência a partir da prisão. Um advogado da acusação, Ujjwal Nikam, contou à Reuters que Kasab sorriu quando o juiz lhe perguntou se tinha recebido uma cópia da acusação e se queria um advogado. “Eu não tenho advogado”, respondeu. Depois disse que era de Faridkot, na província de Punjab, Paquistão.
Em Novembro os ataques aumentaram a tensão entre a Índia e o Paquistão, com Nova Deli a sugerir o envolvimento de Islamabad e a acusar o Paquistão de não combater o terrorismo no país, nomeadamente grupos como o Lashkar-e-Taiba.
As autoridades policiais acusam Kasab de ser um dos atacantes, o único que sobreviveu após as operações de libertação de reféns e de tomada dos locais atingidos, como o hotel de luxo Taj Mahal. As operações prolongaram-se por três dias e nove atacantes foram mortos pelas forças policiais indianas.
A continuação do julgamento foi marcada para 30 de Março e Kasab poderá ser condenado à pena de morte. Entretanto, pediu apoio judicial e Nikam explicou à Reuters que agora “será preciso algum tempo para nomear um advogado para o defender”. O processo em que é acusado de assassínio e de cometer um "acto de guerra" contra a Índia tem mais de 11 mil páginas e inclui os relatos de cerca de 2200 testemunhas dos ataques.



