Combates na ilha de Anjouan entre as tropas da União Africana e as forças rebeldes

25.03.2008 - 11:31 Por AFP, PÚBLICO
As tropas da União Africana (UA) e forças rebeldes da ilha de Anjouan, que apoiam o dirigente Mohamed Bacar, entraram hoje em confronto, declarou à AFP o ministro da Defesa das Comores, Mohamed Bacar Dossar.
Há semanas que 1500 soldados da UA estão a preparar-se para apoiar o Governo das Comores na sua tentativa de submeter o dirigente rebelde da ilha de Anjouan, Mohamed Bacar, um coronel de 45 anos que o ano passado recebeu ordem do tribunal federal para se afastar.
Finalmente, hoje, às 13h00 (hora local), as tropas que tinham desembarcado na ilha esta madrugada tentaram "reduzir uma bolsa de resistência em direcção à casa de Bacar, em Barakani", bairro da localidade de Ouani, a cerca de três quilómetros da capital da ilha rebelde, Mutsamudu, acrescentou o ministro da Defesa do governo federal.
"Não temos informações sobre Mohamed Bacar. Não sabemos onde ele está. Não sabemos se ele está lá [na sua residência], ou se está noutro sítio. Mas isso vai saber-se nas próximas horas", indicou ainda o governante.
As tropas da UA são constituídas por soldados da Tanzânia e do Sudão, que se juntaram aos das Comores a fim de afastarem do cargo de dirigente local o militar que em Junho de 2007 se fez reeleger, contra a vontade das estruturas que superintendem no conjunto da Grande Comore, Moheli e Anjouan.
Cada uma das três ilhas tem o seu próprio presidente e entre elas formaram uma União que ocupa 2235 quilómetros quadrados, totalizando cerca de 800.000 habitantes, independentes desde 1975, depois de colonizados pela França (que conservou Mayotte, a quarta parcela do mesmo arquipélago). Calcula-se que Bacar disponha de 300 soldados para se defender, em mais um dos muitos conflitos que têm perturbado a vida das Comores, ou "Ilhas da Lua", situadas frente à província moçambicana de Cabo Delgado.
"O coronel Bacar será detido se não fugir e enfrentará os tribunais por traição, usurpação de poder, tortura e crimes de guerra", disse o vice-presidente daquele pequeno Estado, Idi Nadhoim, segundo o qual depois da restauração da ordem constitucional deverá haver em Anjouan um governo de transição.

