Combate entre polícia e traficantes de droga já fez 35 mortos no Rio

27.11.2010 - 08:42 Por Agências
O número de mortes nos confrontos desta semana entre polícias e bandidos no Rio de Janeiro chega já oficialmente a 35, de acordo com o último relatório da Polícia Militar.
O comunicado policial desta última noite sobre os resultados do combate à violência indica também 197 detidos, 96 veículos incendiados e três agentes de segurança feridos, além de um número ainda não confirmado de civis hospitalizados.
O número pode ser ainda maior, porque o balanço não inclui as ações da Polícia Civil e há versões da imprensa brasileira segundo as quais o número de mortos já teria chegado a 43.
A noite de ontem ficou marcada pela troca de tiros entre as forças policiais e traficantes de droga numa favela do Rio de Janeiro, cercada por centenas de polícias e militares.A agência de notícias britânica Reuters confirmou ontem à noite que um dos seus fotógrafos, Paulo Whitaker, ficou ligeiramente ferido nas costas, quando fazia a cobertura do sexto dia de uma guerra declarada contra os narcotraficantes na cidade que vai acolher o Mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.
No total estavam no terreno 800 militares apoiados por 40 veículos, dos quais cinco blindados, um reforço aos 600 polícias que participam nas operações desde domingo. Os militares cercaram todas as entradas do Complexo de favelas do Alemão, entre as quais Vila Cruzeiro e o Morro do Alemão. Foi nesta favela que se refugiaram 200 narcotraficantes depois de a polícia ter tomado a Vila Cruzeiro na quinta-feira, com a ajuda dos blindados da Marinha.
Polícias e militares cercam o Complexo do Alemão para impedir uma nova fuga dos "narcos", mas as autoridades do Rio de Janeiro garantem que não estão a prever invadir, no imediato, estes bairros pobres onde vivem 400 mil pessoas.
Perante este cenário de violência, o Consulado geral de França no Rio de Janeiro aconselhou os residentes e turistas franceses a "restringir as suas deslocações" nos bairros norte e oeste desta cidade.
As lojas reabriram ontem na zona mas o medo ainda é visível entre os seus habitantes. "Estou aterrorizada. Abri a loja porque tenho de pagar as minhas contas mas, se calhar volto a fechar dentro de dez minutos", disse Mariza, 44 anos, dona de uma papelaria.
"Eles (os narcotraficantes) estão todos lá para cima nas colinas. Mas quando há disparos, a polícia é tão perigosa como os bandidos. Tenho muito medo", admite Adelina, 69 anos, acelerando o passo junto a 20 polícias armados.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que as autoridades locais e os habitantes do Rio de Janeiro têm o seu "apoio a cem por cento".
Ontem, o governador do Rio, Sérgio Cabral, declarou em conferência de imprensa que o contra-ataque sem precedentes contra os traficantes de droga muda uma página na história da cidade. Quando chegou ao poder, em Janeiro de 2007, Sérgio Cabral lançou uma ofensiva contra o crime organizado depois de mais de 30 anos de indiferença das autoridades locais.
Notícia actualizada às 12h30


