O comandante militar norte-americano para o Médio Oriente manifestou-se hoje contra a definição antecipada de um calendário para a retirada do Iraque e desaconselhou a redução dos efectivos no país nas “actuais circunstâncias”.
O general John Abizaid falava perante o Comité das Forças Armadas no Senado, que hoje começou a analisar a estratégia do Presidente George W. Bush para o Iraque, tema em destaque na política norte-americana desde a vitória dos democratas nas eleições intercalares.
A oposição, que a partir de Janeiro passará a controlar as duas câmaras do Congresso, já se manifestou favorável à definição de uma data para o início da redução do contingente americano no Iraque, sustentando que tal poderá acontecer dentro de quatro a seis meses.
No entanto, Abizaid, que supervisiona as operações militares na região desde 2003, diz que os comandantes precisam de margem de manobra para tomar decisões operacionais importantes, tais como a transferência de responsabilidades para as forças iraquianas. “A definição de calendários específicos limita essa flexibilidade”, afirmou.
Apesar da pressão da opinião pública, o general mostrou-se também contrário à redução do contingente americano no Iraque, actualmente estimado em 141 mil militares, até que as forças iraquianas sejam capazes de compensar essa redução. “Nas circunstâncias actuais não recomendaria uma retirada. Para já, as nossas tropas precisam de continuar onde estão”, afirmou.
Questionado sobre quanto tempo os militares americanos e iraquianos necessitam para estabilizar a situação de segurança no Iraque, onde no mês passado se registou um número recorde de mortos, Abizaid admitiu que são necessários mais “quatro a seis meses”.
Contudo, o responsável militar entende que enviar mais tropas para o Iraque não irá resolver o problema da insegurança.
A declaração do general irritou o senador John McCain, potencial candidato republicano às próximas presidenciais, que tem advogado um reforço dos efectivos americanos no Iraque como única forma de esmagar a guerrilha. “Estou desapontado por ter vindo aqui limitar-se a defender o ‘status quo’. Penso que o povo americano disse nas últimas eleições que isso não é aceitável”, afirmou o senador.
Na resposta, o comandante rejeitou as críticas, afirmando que mais do que aumentar o número de militares é necessário colocar as forças americanas dentro das estruturas da polícia e do Exército iraquiano, para garantir um treino e actuação eficazes.
“Só com forças armadas capazes e independentes, poderemos criar condições para uma retirada”, sublinhou.



