Os Estados Unidos anularam um encontro do enviado especial para o Médio Oriente, George Mitchell, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em resposta à recusa de Israel em parar a construção de colonatos na Cisjordânia, revelou hoje o diário israelita “Yediot Ahoronot”.
Benjamin Netanyahu está hoje em Paris para um encontro com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, na segunda etapa de um périplo europeu que começou ontem, em Roma. Na agenda de Netanyahu na capital francesa estava também um encontro com o enviado especial norte-americano para o Médio Oriente, que foi entretanto cancelado e substituído por um encontro, segunda-feira, em Washington, entre George Mitchell e o ministro da Defesa israelita, Ehud Barak.
O diário de grande tiragem israelita vai mais longe e atribui o cancelamento a uma tomada de posição clara de Washington: enquanto Israel não mudar a sua posição sobre os colonatos, um encontro entre Mitchell e Netanyahu não faz sentido.
“Disseram-nos claramente que enquanto não tivéssemos acabado os trabalhos de casa sobre colonização não fazia sentido que Mitchell se deslocasse a Paris para avistar-se com o primeiro-ministro”, disse um alto responsável do Governo israelita, sob anonimato, ao “Yediot Ahoronot”.
Esta manhã, o diário britânico “The Guardian” noticia que o Ministério da Defesa de Israel deu luz verde à construção de mais 240 casas num colonato nos territórios ocupados da Cisjordânia, bem como a legalização de outros 60 fogos, num gesto interpretado como um desafio ao apelo norte-americano ao congelamento dos colonatos, frisado pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no seu discurso do Cairo, a 4 de Junho.
Os planos para a construção e legalização desses fogos já foram aprovados pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, e esperam agora a aprovação final do Governo.
O último encontro entre Netanyahu e Mitchell teve lugar a 9 de Junho, antes de o chefe do Governo israelita ter feito um discurso extenso sobre a paz e a política de segurança de Israel, no qual colocava condições à aceitação da solução de dois estados para a região, como o reconhecimento de Israel como um Estado judaico e a desmilitarização de um futuro Estado palestiniano.
Ontem, em Roma, Netanyahu disse que não iria autorizar a criação de novas colónias, mas que iria manter a política de expansão natural dos colonatos já existentes. “A vida tem de continuar”, disse, acrescentando estar esperançando em “chegar a um acordo” com Washington.
Cerca de meio milhão de israelitas vivem na Cisjordânia, 200 mil dos quais em Jerusalém Oriental, segundo números da AFP.



