Colômbia: Clara Rojas e Consuelo Gonzalez libertadas mas sem notícias de Betancourt há três anos

11.01.2008 - 11:43 Por PÚBLICO, Agências
As colombianas Clara Rojas e Consuelo González, ontem libertadas após vários anos de cativeiro na selva, à mercê das FARC, chegaram a Caracas ontem à tarde (noite em Lisboa), onde se encontraram com os seus familiares. Nas suas primeiras declarações aos media, Rojas, amiga e colaboradora de Ingrid Betancourt, assegurou que não sabe nada da líder política há três anos. A libertação de Rojas e Gonzalez abre assim um novo capítulo no conflito entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o governo colombiano.
O fim do cativeiro de Clara Rojas, de 44 anos, e Consuelo González, de 57, foi ontem anunciado ao mesmo tempo em Caracas e em Bogotá (capital colombiana). A operação durou menos de um dia, depois do líder venezuelano ter dito que tinha em seu poder as coordenadas do lugar de resgate e que o país vizinho dera o sim incondicional. De manhã, dois helicópteros da Cruz Vermelha atravessaram a fronteira para San José de Guaviare, um dos departamentos colombianos de maior actividade rebelde, reabasteceram-se e voltaram a partir. No terreno, as operações militares tinham sido suspensas, no ar, o espaço aéreo fora fechado. Pouco depois, os aparelhos voltavam com Clara e Consuelo de uma aldeia indígena entre as localidades de El Retorno e de La Paz, a cerca de 400 quilómetros de Bogotá, segundo o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, que garantiu a trégua por mais algum tempo.
Muito magras, mas em boa forma, as mulheres foram acolhidas pelos seus familiares e amigos, e por altos responsáveis venezuelanos. "É como voltar à vida. Por momentos, pensei que tudo isto fosse um sonho", indicou Consuelo González, raptada pela guerrilha marxista no dia 10 de Setembro de 2001, e que ontem se encontrou finalmente com as suas filhas, Patricia e Maria Fernanda Perdomo, vendo igualmente a sua neta de dois anos pela primeira vez.
Sem notícias de Betancourt há três anos
Clara Rojas, uma advogada de 44 anos, abraçou finalmente a sua mãe, Clara Gonzalez, de 76 anos, que sempre lutou pela libertação da filha. Clara Rojas era a principal colaboradora da ex-candidata à presidência colombiana Ingrid Betancourt, com quem foi capturada no dia 23 de Fevereiro de 2002. A advogada afirmou à rádio Caracol, depois da sua libertação, que não sabe nada de Ingrid há três anos, explicando que os guerrilheiros as separaram "por razões de segurança".
Rojas acrescentou ainda que os guerrilheiros enviaram ao ministro venezuelano do Interior, Ramón Rodriguez Chacin, provas de vida de oito reféns, mas ficou por apurar se Ingrid Betancourt é um destes oito casos.
Clara Rojas falou ainda do nascimento do seu filho Emmanuel (filho da relação com um guerrilheiro), no dia 16 de Abril de 2006, por cesariana, o que a imobilizou durante 40 dias, numa altura em que os ataques às FARC se tornaram muito intensos. "Foi muito duro, mas estou viva por causa dele (...). Mostrou ser um bebé muito corajoso", afirmou.
Numa outra entrevista a uma rádio colombiana, González denunciou as condições de detenção dos prisioneiros masculinos da guerrilha marxista, assegurando que eles estão acorrentados dia e noite.
Por seu lado, o Presidente colombiano Álvaro Uribe reconheceu a "eficácia" do seu homólogo venezuelano Hugo Chávez na obtenção da libertação das suas reféns das FARC, que apelaram a negociações de paz. "Elas estão em plena liberdade. Bem-vindas à vida", declarou Chávez diante da imprensa.
A família de Ingrid Betancourt saudou a libertação das prisioneiras e Mélanie Delloye, filha de Ingrid, indicou a partir de Nova Iorque que este poderá constituir o início do processo de libertação de todos os reféns. "Isto mostra que, quando há vontade, podemos avançar", indicou Mélanie via telefone.
As FARC dizem que estão dispostos a libertar, para além de Clara Rojas e Consuelo Gonzalez, outros 43 reféns, incluindo Ingrid Betancourt e três americanos, pedindo em contrapartida a libertação de 500 dos seus militantes detidos.

