Colin Powell, secretário de Estado norte-americano no primeiro mandato de George W. Bush, revelou hoje o seu apoio ao candidato democrata à Casa Branca Barack Obama, um anúncio que marca uma ruptura decisiva do general com a actual Administração republicana.
Powell, que depois de abandonar a Administração criticou a decisão de Bush de avançar para a guerra no Iraque, foi esta manhã ao programa “Meet the Press” da NBC anunciar que a sua escolha de voto não recai sobre o candidato republicano.
O antigo chefe da diplomacia americana considera que o candidato democrata “preenche os critérios” para liderar o país, destacando a sua capacidade “para inspirar” os que o apoiam e para “procurar consensos”. “Todos os americanos, e não apenas os afro-americanos” ficarão orgulhosos se Obama ganhar, afirmou.
O antigo conselheiro para a Segurança Nacional e chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA (cargo que ocupou durante a Guerra do Golfo) desvalorizou a inexperiência do candidato democrata em cargos executivos. “Confio neste homem para comandante-em-chefe e vocês também deveriam confiar”, afirmou Powell, dirigindo-se aos eleitores indecisos.
O general, de 71 anos, explicou que decidiu apoiar Obama depois de seguir “atentamente” as duas campanhas durante as últimas semanas, tendo concluído que o democrata “tem o estilo e a substância” necessárias para responder aos problemas do país e modernizá-lo. “Penso que ele será um Presidente reformador e por essa razão vou votar nele”, acrescentou.
Powell diz que também “McCain daria um bom Presidente”, mas a política nacional precisa “de uma mudança de geração”, de alguém capaz de “electrizar o país e o mundo”.
O antigo chefe da diplomacia lamentou também o “negativismo” e a visão “demasiado estreita” manifestada pela campanha republicana e diz que John McCain “tem-se mostrado demasiado inseguro sobre a forma de lidar com os problemas económicos” que o país atravessa. “Cada dia tem uma posição diferente sobre o tema e isso preocupa-me”, afirmou, citado pela BCC online.
Powell manifestou-se também contra a escolha de Sarah Palin para candidata à vice-presidência: “Ela é uma mulher notável e deve ser admirada”, mas “não creio que esteja pronta para ser Presidente dos EUA, o que é afinal o trabalho de um vice-Presidente”.
Confrontado com este revés, no mesmo dia em que se soube que Obama conseguiu angariar no mês passado um valor recorde de 150 milhões de dólares, John McCain disse “não ter ficado surpreendido” com a decisão de Powell, de quem é "amigo de longa data". “Estou muito contente de poder beneficar com o apoio de [outros] quatro antigos secretários de Estado”, afirmou o candidato republicano, em declarações à televisão Fox News.



