Graças às sanções e a falhas técnicas

Clinton diz que programa nuclear iraniano desacelerou

10.01.2011 - 14:08 Por PÚBLICO

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Clinton espera obter o apoio dos países árabes à sua estratégia para o Irão Clinton espera obter o apoio dos países árabes à sua estratégia para o Irão (Reuters)
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, diz que as sanções internacionais e uma série de falhas técnicas estão a atrasar o programa nuclear iraniano, o que dá às potências internacionais mais tempo para convencer Teerão a rever a sua posição. Esta é a primeira vez que um dirigente dos EUA fala em público da evolução das actividades nucleares de Teerão.

“A nossa análise mais recente é a de que as sanções estão a funcionar. Graças a elas tornou-se mais difícil o Irão prosseguir as suas ambições nucleares”, disse a chefe da diplomacia norte-americana à chegada a Abu Dhabi, primeira etapa de uma visita aos países do Golfo antes de nova reunião entre negociadores iranianos e o Grupo dos Seis (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha), no final do mês, em Istambul.

Os países árabes estão preocupados com a crescente influência do vizinho xiita na região, temendo, tal como os países ocidentais, que o seu programa nuclear seja usado para fins militares. Alegam, no entanto, que a falta de progressos nas negociações de paz no Médio Oriente, e o apoio dos EUA a Israel, contribuem para o fortalecimento iraniano na região.

Em Abu Dhabi, Clinton disse ainda que o regime iraniano “teve problemas técnicos que atrasaram o seu calendário”. No entanto, a chefe da diplomacia americana diz que não são estes problemas que vão convencer o Irão a mudar de rumo. “A verdadeira questão é a de saber como convencemos o Irão de que as armas nucleares não o tornam mais seguro, antes pelo contrário. Temos algum tempo, mas não todo o tempo.”

As palavras de Clinton chegam dias depois de o ex-chefe da Mossad, Meir Dagan, ter dito que o Irão não terá pronta uma bomba atómica antes de 2015. As anteriores estimativas dos serviços secretos de Israel – país que acena frequentes vezes com a possibilidade de um ataque aéreo para impedir Teerão de atingir os seus objectivos – apontavam para a conclusão dos trabalhos um a dois anos antes daquela data.

O regime iraniano insiste que as suas actividades têm fins exclusivamente pacíficos e garante que nem as sanções da ONU, nem as mais restritivas aprovadas já depois pelos EUA e UE, tiveram qualquer impacto no seu programa nuclear.

Apesar de recusar suspender o enriquecimento de urânio (a fase mais sensível do ciclo nuclear) voltou no mês passado à mesa das negociações, pela primeira vez desde a aprovação da quarta ronda de sanções, em Junho. No entanto, a reunião de Viena teve como único resultado o agendamento de um segundo encontro, desta vez na Turquia, país que se tem assumido como mediador entre Teerão e o Grupo dos Seis.

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Leviathan

10.01.2011 22:04

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