Divulgação online de mensagens roubadas da Universidade de East Anglia

Clima: e-mails roubados por cépticos das alterações climáticas embaraçam cientistas

22.11.2009 - 15:02 Por Clara Barata

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Os e-mails foram retirados dos servidores da Unidade de Investigação sobre o Clima da Universidade de East Anglia Os e-mails foram retirados dos servidores da Unidade de Investigação sobre o Clima da Universidade de East Anglia  (Paulo Pimenta (arquivo))
A divulgação on-line de cerca de 3000 e-mails trocados entre cientistas que estudam o aquecimento global e as alterações climáticas roubados por hackers dos servidores da Unidade de Investigação sobre o Clima da Universidade de East Anglia (Reino Unido) está a criar um enorme burburinho, que tem chamado a atenção dos maiores jornais norte-americanos para os bastidores desta polémica área científica. As apreciações não têm sido as mais benevolentes.

Os e-mails roubados (ver arquivo em http://www.anelegantchaos.org/cru/ ) são comunicações trocadas entre vários cientistas entre 1996 e 12 de Novembro de 2009, em linguagem solta como costuma acontecer quando as pessoas trocam ideias por correio electrónico. Apareceram pela primeira vez num "server" russo e depois num blogue de cépticos das alterações climáticas, chamado The Air Vent, mas espalharam-se rapidamente pela Internet.

Muitos dos cientistas cujos e-mails foram roubados escrevem também no blogue RealClimate.org, e por isso foi lá colocado um "post" que confirma o roubo de informação e comenta a forma como está a ser usada a informação. “Tomámos conhecimento da existência deste arquivo na terça-feira, quando os hackers tentaram colocá-lo no RealClimate”.

As mensagens divulgadas são comunicações entre alguns dos mais conhecidos cientistas da área – que discutem a qualidade do trabalho publicado de outros investigadores, em termos por vezes não muito simpáticos, e também os argumentos e acções dos chamados cépticos do clima, também em termos não propriamente simpáticos. O que não é de admirar, é a forma normal como as pessoas se expressam quando trocam mensagens entre si, como diz a declaração divulgada pelo RealClimate.

“É importante recordar que a ciência não funciona porque as pessoas são sempre bem-educadas. A teoria da gravidade não é útil porque Newton era uma pessoa simpática”, lê-se no “post”. “A ciência funciona porque diferentes grupos tentam aproximar-se o mais possível da verdade e são geralmente muito competitivos entre si. Por isso é ainda mais importante que os mesmos cientistas consigam ainda assim chegar a acordo sobre o texto de um capítulo do IPCC [Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o grupo de especialistas que, sob a égide da ONU, colige o que se sabe sobre o aquecimento global e os seus efeitos sobre o planeta].”

Alguns e-mails roubados são de 1996, outros são já de Novembro deste ano. Neles incluem-se rascunhos de artigos científicos, dados em bruto, comentários sobre como apresentar dados – e há um que tem sido especialmente usado como “prova” de que os cientistas manipulam dados para fazer crer ao mundo que existe uma crise climática que não é real.

Trata-se de uma mensagem em que um cientista diz que acabou de fazer “o truque” com os dados que outro tinha usado num gráfico publicado na revista “Nature”. Mas isso não quer dizer que esteja propriamente a massajar os dados: “Os cientistas usam muitas vezes o termo ‘truque’ para se referir a ‘uma boa maneira de lidar com um problema’, em vez de algo que é ‘secreto’. Por isso, não há nada de errado nesta passagem”, diz o “post” no RealClimate.

“Normalmente, os e-mails são privados, por isso as pessoas que os escrevem exprimem-se de uma forma mais livre do que numa declaração pública”, diz ainda o blogue dos cientistas climáticos. Estes e-mails “permitem espreitar para a forma como os cientistas de facto interagem e os conflitos que revelam mostram que a comunidade [científica] é bem diferente do monólito que muitas vezes se imagina.”

“O momento escolhido para este episódio [quando se aproxima a conferência climática em Copenhaga] provavelmente não é uma coincidência. Mas se escolher algumas frases fora de contexto de correspondência roubada é a única resposta que conseguem dar ao peso das provas científicas da influência humana nas alterações climáticas, então provavelmente não têm mesmo muito que dizer”, lê-se no blogue RealClimate.

“Há claramente lições a tirar daqui. Claramente, ninguém se teria dado a tanto trabalho se o objecto académico de estudo deste grupo fossem os hábitos de acasalamento das borboletas europeias”, conclui.

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Ui!!!

Já vi que o Anónimo de França ganhou os vícios destes ditos "cientistas climáticos", ou seja, não ...

Anónimo

22.11.2009 22:35

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