Cinco britânicos condenados por planearem atentados no Reino Unido

30.04.2007 - 13:34 Por AFP, Reuters
Cinco cidadãos britânicos, alguns dos quais com ligações à Al-Qaeda, foram hoje condenados a prisão perpétua por conspirarem atentados no Reino Unido, com recurso a bombas fabricadas a partir de fertilizantes de nitrato de amónio.
Omar Khyam, Waheed Mahmood, Anthony Garcia, Jawad Akbar e Salahuddin Amin foram condenados por planearem atacar dezenas de alvos em solo britânico — de clubes nocturnos a um centro comercial.
A acusação sustenta que o plano, engendrado entre Janeiro de 2003 e Março de 2004, pretendia provocar "centenas de mortos", em vingança pelo apoio do Governo britânico à chamada guerra contra o terrorismo lançada pela Administração norte-americana após os atentados do 11 de Setembro.
Documentos apresentados pelo Ministério Público — que só foram conhecidos após a conclusão do julgamento, iniciado em Março do ano passado — revelam que os serviços secretos já vigiavam o grupo há vários meses, tendo concluído que os suspeitos mantiveram contactos com dois dos radicais que viriam a suicidar-se nos atentados contra a rede de transportes de Londres, em Julho de 2005, que causaram 52 mortos.
No início de 2004, quando estava sob vigilância do MI-5 (serviços de informação interna), Omar Khyam, de 25 anos, encontrou-se por quatro vezes com Mohammad Sidique Khan, líder do grupo, e com Shehzad Tanweer, outro dos bombistas suicidas de Londres. Dias depois viria a ser detido, mas as autoridades optaram por não prender os dois radicais, uma vez que estes não estariam envolvidos naquela conspiração.
Os procuradores afirmam que, aquando da sua detenção, o grupo estava "a dias" de decidir qual seria o primeiro alvo dos ataques terroristas. Na posse de Khyam estavam já 600 quilos de fertilizantes à base de nitrato de amónio e alumínio em pó, que o grupo pretenderia usar no fabrico das bombas.
Peritos em contra-terrorismo ouvidos durante o julgamento disseram que o grupo planeava fabricar uma bomba mais poderosa do que as que foram usadas em recentes atentados. "Teria sido a primeira vez desde o 11 de Setembro que cidadãos britânicos cometeriam um homicídio em massa no Reino Unido", afirmou um dos investigadores que participou no inquérito, adiantando que "a Al-Qaeda esteve por detrás da conspiração".

