Cimeira UE-África: Durão Barroso defende presença de Mugabe em Lisboa

06.12.2007 - 15:51 Por Reuters, PUBLICO.PT
O presidente da Comissão Europeia defendeu hoje o convite feito ao Presidente Robert Mugabe para estar presente na Cimeira UE-África, dizendo esperar que a questão dos direitos humanos seja prioritária no encontro deste fim-de-semana em Lisboa.
“A vida ensinou-me que quando se está na política internacional, por vezes é preciso encontrarmo-nos com pessoas com quem a nossa própria mãe não gostaria de nos ver”, afirmou Durão Barroso, esta manhã, numa conferência de imprensa em Bruxelas, antes de partir para a cimeira.
A anunciada presença em Lisboa do Presidente do Zimbabwe – sobre quem pesam há cinco anos sanções por violação dos direitos humanos – levou o primeiro-ministro britânico a boicotar o encontro, muito por pressão de uma opinião pública hostil às políticas de expropriação dos fazendeiros brancos (muitos com dupla nacionalidade britânica) que contribuíram para a actual ruína da economia do país.
O presidente da Comissão Europeia disse respeitar as razões invocadas por Gordon Brown para não participar na cimeira, mas explicou que se os países europeus recusarem encontrar-se com dirigentes que violem os direitos humanos “não haverá muito mais reuniões fora da Europa”.
Apesar das críticas das organizações não-governamentais, o líder do executivo comunitário acredita que a questão dos direitos humanos estará em destaque na cimeira e que os regimes que não os respeitam devem ser confrontados com essas violações.
Referindo-se directamente a Mugabe, Barroso sublinhou que “se tem registado uma tendência muito negativa no regime do Zimbabwe” e defendeu que “isso é algo que terá de ser abordado” na cimeira UE-África.
“Não compreendo como é que aqueles que lutaram pela libertação dos seus países não aceitem agora a liberdade dos seus próprios povos”, acrescentou.
Barroso aproveitou a conferência de imprensa para explicar que publicou um artigo em vários jornais africanos no qual defendia que “a violação dos direitos humanos e a ausência de liberdade democrática no Zimbabwe, por mais inaceitável que seja a situação, não pode interferir na relação entre os dois continentes”. No entanto, no texto que foi publicado no “The Herald”, o maio jornal do Zimbabwe, foi acrescentada a palavra “alegada” antes da frase sobre a violação dos direitos humanos no país.
Polémicas à parte, o líder da Comissão Europeia acredita que a cimeira de Lisboa permitirá “um verdadeiro novo impulso” nas relações entre os dois continentes, para que a actual “política europeia para África seja substituída por uma política da UE com África”.


