Cimeira UE/África: 17 escritores acusam líderes políticos de esquecerem Zimbabué e Darfur 
04.12.2007 - 12:31 Por Reuters
Um grupo de 17 escritores de todo o mundo, entre os quais se encontram os Nobel Gunter Grass, Nadien Gordimer e Dario Fo, mas também o moçambicano Mia Couto e o português José Gil, acusam os líderes europeus e africanos, reunidos no próximo fim-de-semana em Lisboa, na cimeira UE/África, de cobardia política por não terem posto no topo da agenda da reunião a crise no Zimbabwe e em Darfur.
O encontro, o primeiro desde 2000, foi minado pela controvérsia em torno do convite a ao presidente do Zimbabwe Robert Mugabe, acusado de ter destruído a economia do país e de ter neutralizado a oposição política. Convite que também não esteve isento de críticas foi o que foi endereçado ao Sudão, criticado pelo seu apoio às milícias no Darfur.
“Não está agendada uma discussão formal ou informal sobre estes dois assuntos. O que se pode dizer desta cobardia política? Milhões de europeus e africanos esperam que o Zimbabwe e o darfur estejam no topo da agenda da reunião. Ainda não é tarde.”, apelam os escritores, entre os quais o Nobel nigeriano Wole Soyinka, na carta endereçada aos responsáveis políticos.
A carta, uma iniciativa apoiada pela organização não-governamental Crisis Action, deverá ser publicada amanhã em vários jornais africanos e europeus, entre os quais o PÚBLICO, é vista como mais um instrumento crítico desta reunião em que a União Europeia deposita esperanças para o fortalecimento dos laços económicos com África, para prevenir que o gigante chinês o consiga primeiro.
O primeiro-ministro britânicoGordon Brown e o presidente da república Checa Mirek Topolanek fizeram notar, há muito tempo, que não participariam na cimeira se Mugabe estivesse presente. Mas os 53 países da União Africana impuseram a presença de Mugabe como incontornável.

