A voz de quem vive o Darfur e o Zimbabwe

Cimeira: plataforma de organizações reivindicam inclusão dos direitos humanos no topo da agenda

08.12.2007 - 15:20 Por Sofia Branco

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Os activistas lamentam que a comunidade internacional se mostre dividida na resolução do conflito no Darfur Os activistas lamentam que a comunidade internacional se mostre dividida na resolução do conflito no Darfur (Antony Njuguna/Reuters)
Há casos concretos que espelham o estado do respeito pelos direitos humanos. Por isso, o conflito no Darfur e a situação no Zimbabwe foram escolhidos por uma plataforma de organizações para reivindicarem a inclusão dos direitos humanos no topo das prioridades da agenda da cimeira oficial entre a União Europeia e África.

Com a moderação da eurodeputada Ana Gomes (PS), dois zimbabweanos e dois sudaneses falaram hoje aos jornalistas, num hotel perto do Parque das Nações, que acolhe o encontro de chefes de Estado e de Governo europeus e africanos.

A atenção dada à presença de Robert Mugabe na Cimeira UE-África foi “decepcionante”, porque desviou as atenções do que é importante, ou seja, do “respeito pelos direitos humanos”, classificou Primrose Matambanadzo, da associação de médicos pelos direitos humanos no Zimbabwe. “Não façam de conta que nada se passa por acharem inconveniente discutir o assunto”, apelou, dirigindo-se aos líderes europeus.

Para Promise Mkwanunzi, presidente da associação estudantil que se opõe às políticas do regime zimbabweano, “é tempo de olhar para lá da era Robert Mugabe [o actual Presidente]”, em que a “reconstrução” tem um papel central.

Quanto ao Darfur, começou por ser “um problema económico” que agora precisa de uma “resolução política”, realçou Iklass Mohammed, sobrevivente do conflito na região sundanesa e activista dos direitos humanos, colocando o dedo na ferida: “O governo sudanês tem muita responsabilidade na deterioração da situação.” Mais: o governo de Cartum “engana a comunidade internacional”, que não pode deixar-se enganar, reclamou.

Salim Osman, que receberá o Prémio Sakharov amanhã, dia mundial dos direitos humanos, foi claro: “O processo de paz [no Sudão] não está a progredir.” E lamentou que “a comunidade internacional, especialmente a UE” se venha mostrando “confusa e dividida em relação ao Darfur”, face ao não cumprimento das “promessas” pelo governo de Cartum. “Todos estão a ver o genocídio acontecer e ninguém faz nada para que acabe”, considera, rejeitando a “desculpa” de que “estão muito ocupados no Afeganistão e no Iraque”.

“Há muitos líderes sentados à mesa [da Cimeira UE-África] que são ditadores e responsáveis pela opressão dos seus povos. Se houvesse justiça, muitos deles estariam atrás das grades”, sublinhou Ana Gomes.

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