Cimeira Ibero-americana: Cavaco e Sócrates desvalorizam polémica provocada por Chávez

10.11.2007 - 16:36 Por Lusa
O Presidente da República e o primeiro-ministro portugueses defenderam hoje que a Cimeira Ibero-Americana não tem de falar "a uma só voz", quando questionados sobre o discurso polémico proferido ontem pelo Presidente da Venezuela, que teceu duras críticas a vários parceiros.
"O objectivo não é falar a uma única voz. Esta organização de cimeira entre chefes de Estado e de Governo é assumidamente plural e diversa", afirmou José Sócrates, na conferência de imprensa conjunta com Cavaco Silva, perto do final da XVII Cimeira Ibero-Americana, a decorrer em Santiago do Chile.
Presidente e primeiro-ministro foram confrontados com as divergências no espaço ibero-americano, bem patente na polémica intervenção de Hugo Chávez, que criticou os EUA, o presidente brasileiro Lula da Silva e chamou "fascista" a José Maria Aznar.
"Nós não queremos uniformidade política, temos interesses comuns, temos uma história comum, isso não significa que pensemos todos da mesma forma", disse o primeiro-ministro. “Mas também não temos a arrogância de achar que nós pensamos melhor que os outros, ouvimos os outros com respeito, tal como os outros nos ouvem com respeito", acrescentou.
Venezuela é um "país amigo"
Referindo-se concretamente a Hugo Chávez, Sócrates sublinhou que a Venezuela "é um país amigo" e que "Portugal respeita os chefes de Estado dos países amigos, e respeita-os sempre que são eleitos em eleições livres e justas".
"Essa é a posição do Estado português e espero que não mude, isso não quer dizer que pensemos como pensam esses chefes de Estado. Não temos uma visão diplomática infantil segundo a qual só temos relações com quem pensa como pensa como nós”, acrescentou.
Por seu lado, Cavaco Silva lembrou que participou na primeira Cimeira Ibero-Americana, em 1991, e considera que existiu "uma evolução positiva", quer em termos económicos, quer políticos. "A democracia, apesar de tudo, está hoje mais espalhada pela América Latina, mas reconheço que existem algumas diferenças na interpretação da liberdade e da democracia", admitiu.
O chefe de Estado salientou, contudo, que, nestas cimeiras, "não está em causa falar a uma só voz mas encontrar interesses comuns". "O que desejamos é ter um campo de interesses mais alargado", defendeu.
Chávez descansa comunidade portuguesa
Durante a conferência de imprensa, Cavaco Silva revelou hoje que o seu homólogo venezuelano garantiu a segurança da comunidade portuguesa, apesar dos recentes distúrbios ocorridos no país.
"Tive ontem ao almoço oportunidade de trocar breves impressões com o Presidente da Venezuela e chamei-lhe à atenção para o contributo da comunidade portuguesa" no país, afirmou Cavaco Silva.
Na resposta, Hugo Chávez manifestou "grande apreço pela comunidade portuguesa", antes de acrescentar: "senhor Presidente, pode estar descansado".
Já o primeiro-ministro garantiu que "o Governo português acompanha a situação venezuelana com interesse”, acrescentando que serão mantidos “contactos regulares e adequados”.

