Cimeira dos não-alinhados tem como ponto alto encontro entre a Índia e o Paquistão

15.07.2009 - 09:26 Por PÚBLICO
O Egipto acolhe hoje a cimeira dos países não alinhados que, mais do que consta da agenda, terá como ponto alto a reunião à margem do encontro dos chefes de Governo da Índia e Paquistão, duas potências nucleares militares rivais numa tumultuosa região do mundo.
As relações entre estes dois países vizinhos degradaram-se significativamente desde os atentados de Novembro de 2008 em Bombai, nos quais morreram 174 pessoas – com responsabilidades apontadas por Nova Deli a um grupo armado paquistanês e aos serviços de espionagem de Islamabad, que o Governo indiano diz ter sido “cúmplice” do ataque.
Em meados do mês passado, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh – que manterá conversações com o homólogo paquistanês, Yusuf Raza Gilani, à margem da cimeira de dois dias – fez um apelo à paz, numa tentativa de retoma de fôlego do difícil processo de reconciliação, iniciado em 2004. Os dois países já se defrontaram militarmente por três vezes desde que ambos se tornaram independentes em 1947. Mas Singh deixou então também claro que a paz entre Nova Deli e Islamabad depende de o Paquistão erradicar “o terrorismo” islamista do seu território – expressando bem como os ataques de 2008 esfriaram as negociações de paz.
Criado em 1955, durante a Guerra Fria, o movimento dos países não-alinhados, que se definia por se manter equidistante dos dois blocos em conflito, tem vindo a encontrar dificuldades para se manter relevante no seio da comunidade internacional. A sua razão de ser é actualmente questionada depois do derrube da União Soviética e as mudanças no equilíbrio mundial.
A organização junta 53 países da África – entre eles o Sudão, cujo Presidente, Omar Hassan al-Bashir, estará na cimeira apesar de ser objecto de um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional – 38 da Ásia, 26 da América Latina e Caraíbas e a Sérvia.

