Apelos ao compromisso e à acção marcaram a abertura, hoje, da conferência climática das Nações Unidas, em Cancún, México, apesar das baixas expectativas que rondam a reunião.
Representantes de cerca de 200 países vão debater, durante duas semanas, os próximos passos no combate ao aquecimento global, mas sem perspectiva de um novo tratado internacional que substitua o Protocolo de Quioto.
Na cerimónia de abertura, esta manhã em Cancún (tarde em Lisboa), a secretária-executiva da convenção da ONU para as alterações climáticas, Christina Figueres, enunciou vários pontos que estão por resolver, como a necessidade de uma solução para Quioto, a formalização de compromissos até agora voluntários de redução de emissões de CO2, ou a forma de financiamento dos países pobres para enfrentarem os desafios climáticos.
“Apelo para que resolvam esses assuntos com prioridade”, disse Figueres. “Um tapete com buracos não irá funcionar”, acrescentou.
O presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, Rajendra Pahcauri, salientou a urgência de novas medidas para reduzir emissões. “Um atraso na mitigação levará a mais impactos das alterações climáticas, que serão maiores e mais severos do que os que temos visto até agora”, disse.
O Presidente do México, Felipe Calderón, pediu aos países representados na conferência para olharem além dos seus próprios interesses. “Neste terreno, não pode haver rivalidades. Há um só desafio, assim como há só uma espécie humana sobre a Terra”, afirmou.
Apesar dos apelos, as expectativas são baixas quanto a grandes passos em Cancún rumo a um novo tratado climático global. Vários países e a própria ONU têm vindo a defender a adopção, nesta conferência, de um pacote “equilibrado” de decisões, que toque nos diferentes pontos de discussão. Decisões concretas sobre um regime para combater a desflorestação, sobre um fundo para financiar os países em desenvolvimento e sobre o acesso dos mesmos a tecnologias limpas podem emergir de Cancún. Em outros temas, como o da fixação de novas metas de redução de emissões, espera-se antes um guião para as negociações no próximo ano.



