Cientista nuclear iraniano morto em explosão de bomba com controlo remoto

12.01.2010 - 10:44 Por PÚBLICO
Uma bomba com controlo remoto explodiu esta manhã em Teerão num ataque que os medias estatais iranianos dizem ter sido direccionado para “assassinar” o cientista nuclear e “empenhado revolucionário” Massoud Ali-Mohammadi.
O canal estatal de televisão IBRI a atribuir directas responsabilidades por esta morte a “agentes sionistas e americanos”.
A explosão, que ocorreu nas proximidades da Universidade de Teerão, onde Ali-Mohammadi leccionava, dá-se num momento em que existe elevada tensão interna no Irão, sete meses depois das eleições presidenciais que reconduziram o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad ao poder e deram azo a continuados protestos nas ruas, amiúde com as universidades como epicentro das manifestações.
Este incidente surge numa altura também particularmente sensível nas relações do regime iraniano com o Ocidente por causa das suas ambições nucleares, estando agendada para sábado uma reunião das grandes potências visando discutir a eventual aprovação de novas sanções contra Teerão. As capitais ocidentais suspeitam que o Irão está a desenvolver armamento nuclear, o que é persistentemente negado pelo regime que inistie ter apenas propósitos pacíficos, de produção de energia.
“Massoud Ali-Mohammadi era professor no campo da física nuclear e até ao momento não foram feitas quaisquer detenções relacionadas com o incidente”, avançou por seu lado o principal procurador de Teerão, Abbas Jafari Dolatabadi, citado pela semioficial agência noticiosa Fars.
A agência sublinhava ainda que estes ataques à bomba são muito raros na capital iraniana. Está ainda por clarificar se houve mais vítimas na explosão, que não foi ainda reivindicada.
A morte de Ali-Mohammadi segue-se ao desaparecimento, em Junho, de um investigador universitário que trabalhava para a agência nuclear iraniana. Shahram Amiri desapareceu durante uma peregrinação a Meca, três meses antes de o Irão ter revelado a existência de uma segunda central de enriquecimento de urânio no país, localizado perto da cidade de Qom. No mês passado, o regime de Teerão acusou a Arábia Saudita de ter “entregue” Amiri aos Estados Unidos.



