Os serviços secretos norte-americanos serviram, depois da Segunda Guerra Mundial, de “abrigo” a nazis e a alemães que tinham colaborado com os Estados Unidos.
Esta é, em traços gerais, a conclusão de um relatório de 600 páginas do Departamento de Justiça que relata a ligação de figuras importantes do nazismo a instituições norte-americanas, nas últimas décadas.
Figuras do regime hitleriano receberam vistos de entrada nos Estados Unidos, mesmo em situações em que os serviços secretos tinham conhecimento do seu passado, diz um relatório de 2006 agora divulgado pelo “New York Times” e que o Departamento de Justiça tentou manter em segredo nos últimos quatro anos.
O Gabinete de Investigações Especiais do Departamento de Justiça (OSI, na sigla em inglês) foi criado em 1979 para expulsar os nazis dos Estados Unidos, mas as informações a que o "NYT" teve acesso sugerem que oficiais norte-americanos deram cobertura a figuras ligadas ao regime de Hitler.
Uma das mais controversas revelações sugere que a CIA recrutou nazis para trabalhar nos seus serviços.
O que está em causa, revela o relatório, é a entrada consciente – com o conhecimento e a cumplicidade do Governo norte-americano – de pessoas com passado ligado ao nazismo alemão, quando os próprios Estados Unidos proclamavam ser um porto seguro para os fugitivos e dissidentes nazis.
Embora os resultados do relatório não sejam oficiais – já que as investigações conduzidas nos últimos quatro anos ainda não estão concluídas –, o documento fala em nomes proeminentes do regime nazi.
Terá sido o caso de Otto Von Bolschwing, aliado de Adolf Eichmann, que ajudou a desenvolver os primeiros planos da chamada purga de Judeus da Alemanha e que, mais tarde, em 1954, trabalhou para as secretas. Oficiais da CIA terão discutido sobre o que responder caso o alemão fosse confrontado com o seu passado, escreve o "NYT".
O Departamento de Justiça ainda terá procurado expulsar Bolschwing em 1981, mas tal não viria a acontecer, porque a intenção coincide precisamente com o ano da morte do alemão.
Arthur L. Rudolph terá sido outra das figuras com protecção das secretas nos Estados Unidos. Cientista que havia trabalhado numa fábrica de munições na Alemanha nazi, Rudolph chegou a ser homenageado pela NASA e reconhecido como pai do foguete Saturno V.
A autoria do relatório é atribuída pelo diário nova-iorquino a Mark Richard, advogado do Departamento de Justiça, que, há quatro anos, solicitou a divulgação do documento.
Mas nem tudo é claro sobre a publicação do relatório. Há quatro anos, Richard terá solicitado a divulgação, que só veio a acontecer com as informações reveladas através da imprensa.
As dúvidas acerca da manipulação do relatório podem afectar Barack Obama, diz o "NYT", já que o Presidente norte-americano escolheu o Departamento de Justiça para estar à frente da abertura dos registos do Governo e prometeu tornar a sua administração a mais transparente da história dos Estados Unidos.


