Chirac: “resultado do referendo torna difícil defesa dos interesses de França na Europa”

29.05.2005 - 22:01
O Presidente francês, Jacques Chirac, afirmou esta noite que aceita a “decisão soberana” dos franceses sobre a Constituição europeia, mas sublinhou que a rejeição do tratado “criou um contexto difícil para a defesa dos interesses” do país na Europa. Ouvidos os primeiros pedidos para a sua demissão, o chefe de Estado remete para “os próximos dias” uma posição sobre o Governo.
As primeiras projecções à boca das urnas do referendo sobre a Constituição europeia em França revelaram que pelo menos 55 por cento dos franceses disseram “não” ao tratado, abrindo as portas a uma crise na União Europeia, já que é necessário que todos os Estados-membros ratifiquem o documento para que este seja aprovado.
Numa mensagem televisiva, Chirac reagiu com a decepção esperada de um chefe de Estado que defendeu o “sim” francês ao tratado constitucional europeu até aos últimos dias que antecederam a consulta popular. Sublinhando que França “continua na União” e “continuará a ter o seu lugar”, o Presidente da República alertou os franceses que a sua rejeição do documento “criará um contexto difícil para a defesa dos interesses [do país] na Europa”.
Pouco antes destas palavras, o líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, e o eurocéptico de direita, Philippe de Villiers, apelaram, separadamente, à demissão de Chirac, perante os resultados das primeiras projecções sobre o referendo.
O chefe de Estado não se pronunciou sobre essas declarações na sua mensagem aos franceses, anunciando, porém, uma decisão, “nos próximos dias”, sobre o Governo, cujo primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, bate recordes de impopularidade.

