As expectativas eram positivas, mas nada de novo saiu da ronda de contactos entre os enviados do Dalai Lama e o Governo chinês.
Terminadas as conversas, Pequim fez saber que não admite qualquer cedência na soberania sobre o Tibete e que a "autonomia genuína" defendida pelo líder espiritual viola a Constituição.
Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen estiveram na semana passada na capital chinesa, dias depois de o regime chinês ter aprovado investimentos maciços para "o desenvolvimento acelerado" daquela região autónoma e das províncias vizinhas com forte presença tibetana - uma inclusão que os analistas viram como um progresso na posição de Pequim, relutante em admitir a existência de um "grande Tibete". Estas regiões foram palco em 2008 de motins contra os migrantes de etnia han, que os tibetanos dizem ser favorecidos no acesso ao emprego e à riqueza criada na região.
Mas qualquer esperança de aproximação caiu ontem por terra, quando Du Qinglin, chefe do comité responsável pelos assuntos das minorias étnicas, revelou ter dito aos enviados tibetanos que "os assuntos relacionados com o território ou a soberania chinesa são inegociáveis e não será feita qualquer concessão".
Os dois enviados só ontem regressaram à Índia, onde o Dalai Lama está exilado desde 1959, mas um porta-voz da liderança tibetana disse à AFP que as declarações sobre soberania são deslocadas: "Não reclamos um Estado soberano", mas uma autonomia que permita aos tibetanos manter a sua cultura e religião, disse Thubten Samphel. Du reiterou, porém, que esta ambição "viola a Constituição" e exigiu que o Dalai Lama deixe de fomentar a violência e a "internacionalização da questão tibetana".
O líder tibetano visita Washington este mês e Pequim estava empenhado em convencer Barack Obama a não se encontrar com ele antes de receber o Presidente chinês, Hu Jintao, na viagem prevista para Abril. Mas o resultado das negociações, que os EUA tinham saudado, tornou-se menos importante numa altura em que as relações bilaterais se agudizam por causa da venda de armas a Taiwan (ver caixa) e do conflito sobre a censura na Internet.



