O regime chinês deu conta de querer alinhar pelo mesmo diapasão que os Estados Unidos sobre as ambições nucleares iranianas, dando aval à exigência de Washington de que Teerão demonstre sem sombras de dúvidas que o seu programa atómico é “pacífico e transparente”. “Estamos de acordo em que a República Islâmica do Irão tem que dar garantias à comunidade internacional”, revelou hoje o Presidente norte-americano, Barack Obama, no final de uma reunião em Pequim com o seu homólogo chinês, Hu Jintao.
Ao dar arranque a este segundo dia de visita à China – a primeira que faz como Presidente dos Estados Unidos, integrada num vasto périplo pela Ásia – Obama frisou que tanto Washington como Pequim, este último sendo um importante parceiro de negócios do Irão, consideram que cabe apenas a Teerão assumir as “consequências” de um cenário de bloqueio, caso “não aproveite esta oportunidade”.
A China tem sido tradicionalmente muito renitente a dar luz verde à aplicação de sanções contra o Irão, insistindo a mão na busca de soluções diplomáticas. Mas, na conferência de imprensa partilhada esta manhã por Obama e Jintao – assim como no comunicado que saiu da reunião prévia dos dois chefes de Estado – Pequim expressa uma “preocupação” partilhada com os Estados Unidos “face aos mais recentes desenvolvimentos na questão nuclear iraniana”.
Washinton e Pequim, que integram o grupo dos seis de negociações do dossier atómico do Irão (onde se incluem também os restantes três membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Rússia, França e Reino Unido – mais a Alemanha), reiteram também que Teerão tem que se envolver “positivamente” nestas discussões e “cooperar em pleno com a Agência Internacional de Energia Atómica [AIEA] para se chegar a uma solução satisfatória”.
Especificamente, o Irão foi instado a dar uma resposta clara e positiva à proposta da agência de monitorização nuclear das Nações Unidas. Esta prevê que parte do urânio enriquecido a baixos níveis pelo Irão deve ser enviado para a Rússia e França de forma a ser processado de forma mais intensa e tornado inócuo do ponto de vista bélico, apenas utilizável como combustível para a produção de energia, o objectivo exclusivo que o Irão declara ter para o seu programa nuclear.
A AIEA mostra-se particularmente apreensiva desde que foi descoberto em Setembro passado que o Irão possui uma segunda central de enriquecimento de urânio – localizada perto da cidade santa de Qom e a qual fora mantida em segredo – temendo que mais actividades atómicas possam estar a ser escondidas da comunidade internacional pelo regime ultraconservador de Teerão.


