China e EUA cooperam para sanar as muitas divergências

18.11.2009 - 08:51 Por Jorge Almeida Fernandes
Não foi uma cimeira conclusiva, antes uma etapa no inevitável processo de reajustamento das relações entre a China e a América.
Os presidentes Hu Jintao e Barack Obama prometeram que os dois países "trabalharão em conjunto" para resolver alguns dos mais urgentes problemas mundiais. Prometeram também empenhar-se no sucesso da cimeira climática de Copenhaga.
Foi uma cimeira em que as duas partes constataram mais divergências do que acordos e em que ficou claro o estatuto ascendente da China, resumiu o "New York Times".
Na conferência de imprensa conjunta, em que os jornalistas não puderam fazer perguntas, Obama declarou: "Estamos num momento em que as relações entre os EUA e a China nunca foram tão importantes para o nosso futuro colectivo." "Os principais desafios do século XXI, das alterações climáticas à proliferação nuclear, passando pela retoma económica, são desafios que dizem respeito aos dois países e que nenhum pode resolver (...) sozinho."
Hu saudou Obama, a quem agradeceu por "ter efectivamente trabalhado para promover esta relação [sino-americana]". Frisou em particular a necessidade de os dois países "se oporem ao proteccionismo e rejeitarem todas as suas manifestações".
"Durante as conversações, sublinhei ao Presidente Obama que, dadas as diferenças das nossas condições nacionais, era normal que as duas partes divergissem em alguns assuntos. O que é importante é o respeito e a acomodação dos nossos interesses vitais e maiores preocupações."
No relativo ao Irão, Obama afirmou que os dois países tinham concordado em exigir que Teerão "forneça garantias à comunidade internacional de que o seu programa nuclear é pacífico e transparente".
Advertiu o regime iraniano de que devia preparar-se para assumir "as consequências" de um bloqueio sobre o seu programa nuclear. Hu foi mais reticente, apelando à resolução do conflito "através do diálogo e da negociação". Em relação ao nuclear norte-coreano, apelaram ambos à retomada das negociações a seis.
Num comunicado oficial, a China e os EUA informaram ter decidido incrementar as suas relações militares e no domínio espacial, de forma a promover a "confiança".
Direitos humanos
Falando aos jornalistas após as conversações com Hu, Obama declarou ter com ele abordado a questão dos direitos humanos. "Pensamos que estes princípios não são reservados aos americanos, que são direitos universais e que todos os povos e minorias étnicas ou religiosas a eles devem ter acesso."
No comunicado conjunto difundido depois do encontro, "as duas partes reconhecem que a China e os EUA têm divergências sobre a questão dos direitos humanos" e que o diálogo bilateral sobre a matéria será retomado em Washington antes do fim de Fevereiro.
Na conferência de imprensa, Hu afirmara que a China continuaria a agir "num espírito de igualdade, de respeito mútuo e de não ingerência nos assuntos internos dos outros, mas prosseguindo o diálogo sobre questões como os direitos humanos e a religião, para reforçar a compreensão e reduzir as divergências".
Obama, que adiou um encontro com o Dalai Lama para depois da viagem a Pequim, limitou-se a afirmar aos jornalistas que tinha proposto a Hu o recomeço das negociações com o líder espiritual do Tibete, "o mais rapidamente possível". Também evitou agendar contactos com grupos liberais chineses.
"Obamao"
Na segunda-feira dialogara em Xangai com uma assembleia de estudantes. Muitos deles, ou a maioria, eram dirigentes de organizações universitárias do Partido Comunista. Mas o efeito foi contagiante. Apesar de apenas ter sido transmitido pela televisão de Xangai e de ter sido bloqueado na Internet, foi amplamente conhecido.


