China diz que se renderam 105 manifestantes tibetanos mas activistas negam

19.03.2008 - 11:03 Por Agências
As autoridades chinesas informaram que 105 manifestantes tibetanos implicados nas manifestações em Lhasa, a capital tibetana, se renderam, anunciou hoje a agência noticiosa oficial Nova China. Por seu lado, o governo tibetano no exílio e organizações pró-tibetanas negam esta informação.
O governo chinês prometeu ser brando com aqueles que se entregassem e uma punição dura para os que não o fizessem.
Não foi possível, porém, confirmar estes números. A imprensa estrangeira está impedida de visitar Lhasa, onde os tumultos que ocorreram na passada sexta-feira causaram 16 mortos, segundo o governo, e mais de 80, segundo o governo tibetano no exílio.
Os manifestantes de Lhasa, liderados por monges, iniciaram uma vigília pacífica no dia 10 de Março, aniversário da revolta de 1959 contra a dominação chinesa. O Tibete foi independente durante décadas antes das tropas comunistas chinesas terem invadido o país, em 1950.
A agência Nova China disse que os manifestantes que se entregaram estiveram envolvidos "directamente nos espancamentos, pilhagens e incêndios da passada sexta-feira".
"Alguns devolveram o dinheiro que tinham roubado", disse Baema Chilain, vice-presidente do governo regional.
Paralelamente, fontes independentes tibetanas e organizações afins negam estas informações e indicam que as forças chinesas estão a obrigar civis a entregar-se. "O Governo chinês quer enviar ao mundo a mensagem de que os tibetanos se estão a render voluntariamente", disse Sonam N. Dagpoo, porta-voz da Administração Central Tibetana, no exílio.
A mesma fonte precisou que a polícia está a levar a cabo detenções "arbitrárias, casa a casa" e a deter monges budistas, tanto homens como mulheres.
Ontem, numa conferência de imprensa transmitida em directo, o primeiro-ministro Wen Jiabao acusou os apoiantes do Dalai Lama de terem organizado os violentos tumultos para sabotarem os Jogos Olímpicos e promoverem a sua campanha a favor da independência.
O Dalai Lama apelou aos seus seguidores para agirem pacificamente, ameaçando demitir-se da liderança espiritual do Tibete se a violência ficar fora de controlo.
Falando em Dharmsala, norte da Índia, sede do governo Tibetano no exílio, o Dalai Lama apelou uma vez mais à não-violência.
"Digo à China e aos tibetanos: Não cometam violências", frisou aos jornalistas, sugerindo terem sido os chineses os promotores da violência para o desacreditarem.
"É possível que alguns agentes chineses tenham estado envolvidos aqui (...) Algumas vezes, os regimes totalitários são inteligentes, por isso é importante investigar".


