China diz que a família da líder uígur a responsabiliza pelos motins em Xinjiang

03.08.2009 - 12:12 Por PÚBLICO
A China aumentou hoje a pressão sobre a activista uígur Rebiia Kadeer, dizendo que dois dos seus filhos e o irmão escreveram cartas a condená-la por ter orquestrado a agitação do mês passado em Urumqi, a capital da região de Xinjiang, noticia hoje o jornal britânico "The Guardian", com base na sua correspondente em Pequim e nas agências noticiosas.
Cinco dos 11 filhos de Kadeer ainda vivem naquela província do Noroeste da China e os grupos de defesa dos direitos humanos dizem que eles têm sofrido muitos dissabores por causa da actividade da mãe.
De acordo com a agência noticiosa estatal Xinhua (Nova China), 12 parentes, incluindo o filho Khahar, a filha Roxingul e o irmão mais novo, Memet, lhe disseram: "Por tua causa, muitas pessoas inocentes, de todos os grupos étnicos, perderam a vida em Urumqi no dia 5 de Julho, com grande dano de propriedades, lojas e veículos".
Teriam acrescentado, segundo esta versão: "Queremos uma vida estável e segura...Pensa por favor na nossa felicidade e nos teus netos. Não destruam a nossa vida feliz aqui. Não sigas a provocação de algumas pessoas noutros países".
A Xinhua disse que, noutra carta, esta às vítimas da agitação de 5 de Julho, eles escreveram: "As provas demonstram que o motim foi organizado pelo Congresso Mundial Uígur, dirigido por Rebiia Kadeer, e concretizado por um grupo de separatistas dentro das fronteiras chinesas".
É impossível de saber as circunstâncias em que estas cartas teriam sido escritas, afirmou Phelim Kine, investigador de assuntos asiáticos na Human Rights Watch, organização com sede em Nova Iorque.
"A linguagem sugere que as autoridades participaram na sua formulação", acrescentou.
Dois dos filhos de Kadeer, Alim e Ablikim, estão detidos desde 2006, por evasão fiscal e separatismo, respectivamente.


