Apoiantes e opositores do antigo ditador Augusto Pinochet começaram a ir para as ruas de Santiago, a capital chilena, após ao anúncio da morte do antigo ditador, aos 91 anos, dividindo-se entre celebrações e manifestações de pesar pelo desaparecimento do polémico general.
Junto ao hospital militar de Santiago, onde Pinochet estava hospitalizado após ter sofrido um enfarte do miocárdio, no passado dia 3, e onde permanecia até hoje, centenas de pessoas lamentam a morte do ex-ditador, na sua maioria mulheres.
Comovidos, os fiéis de Pinochet cantaram o hino nacional entre lágrimas. “”Estou muito triste, transtornada. Ele poupou-nos a uma guerra civil”, diz Gloria, uma das mulheres presentes. “É uma verdadeira tragédia. Um herói nacional morreu”, acrescenta um outro apoiante de Pinochet.
Na Praça de Itália, lugar habitualmente escolhido para celebrações em Santiago, não há sinais de tristeza mas de comemoração. Agitando bandeiras do Chile, várias dezenas de chilenos dançam, cantam e festejam em nome da “libertação do Chile”, condenando o nome de Pinochet, associado a 17 anos de terror e perseguição política no país.
Outra questão que irá ainda dividir os chilenos são as cerimónias fúnebres de Pinochet, tendo o Governo chileno adiantado que apenas está prevista uma homenagem militar no funeral do antigo ditador.
Pouco depois da hospitalização de Pinochet, há uma semana, a Presidente chilena, Michelle Bachelet, recebeu, num encontro privado, o comandante das Forças Aéreas, o general Oscar Izurieta, para definir o protocolo em torno do funeral.
Nesse encontro terá ficado estabelecido que a urna com o corpo de Pinochet ficaria em câmara ardente na Escola Militar e seria honrada pelo Exército, dado que o general nunca foi condenado por violações dos direitos humanos e nunca perdeu a graduação de general e a sua posição de ex-comandante do Exército.
Segundo o jornal “La Tercera”, o Governo deverá enviar em sua representação às cerimónias fúnebres a ministra da Defesa, Viviane Blanlot.


