Cheney diz que guerra no Iraque foi um "esforço bem sucedido" 
17.03.2008 - 19:35 Por Reuters, PÚBLICO
O vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, de visita ao Iraque, acredita que a invasão desencadeada há quase cinco anos pelas tropas dos EUA foi um “esforço bem sucedido”, apesar dos elevados custos humanos e materiais da guerra que se lhe seguiu.
“Se olharmos para estes cinco anos vemos um esforço difícil, desafiante mas ainda assim bem sucedido. Valeu bem os sacrifícios feitos”, declarou Cheney, um dos principais defensores da guerra dentro da Administração americana, após um encontro com a liderança iraquiana.
A guerra no Iraque, iniciativa que marca os dois mandatos da presidência de George W. Bush e da sua Administração, é já encarada como o segundo conflito mais caro da história americana, que terá custado, segundo os autores de um livro publicado recentemente, cerca de três biliões de dólares aos cofres de Washington, entre custos directos e indirectos. O Pentágono desmente este números, calculando que foram gastos 500 mil milhões de dólares, um valor ainda assim muito acima do gasto em outras operações desencadeadas nas últimas décadas.
Ao valor material somam-se os custos humanos, com dezenas de milhares de iraquianos mortos durante a invasão e nos ataques e atentados registados desde então (alguns autores admitem mesmo meio milhão de mortos) e perto de quatro mil baixas entre as forças norte-americanas.
Não estranha, por isso, que a guerra no Iraque se tenha tornado um dos temas centrais da campanha eleitoral para as presidenciais de Novembro, com os democratas a exigirem a definição de um calendário para o repatriamento dos 140 mil soldados que permanecem no país. No pólo oposto, o candidato republicano, John McCain, que também se encontra de visita ao Iraque, defende que os EUA devem manter um forte empenho no país nos próximos anos.
O vice-presidente norte-americano afirma que a nova estratégia militar posta em prática durante o último ano – com o envio de 30 mil efectivos e um novo plano de segurança – representou uma “reviravolta notável” na segurança do país.
“Estive há dez meses no Iraque e sinto, em consequência dos progressos conseguidos desde então, uma mudança enorme na situação geral”, afirmou Cheney, no final de um encontro com o primeiro-ministro, Nuri al-Maliki.
A violência sectária, que durante 2006 ameaçou arrastar o país para uma guerra civil, diminui, à semelhança dos ataques contra forças de seguranças e civis, em especial na região de Bagdad. No entanto, as redes terroristas continuam muito activas, em especial a Norte da capital e quase diariamente civis são vítimas de atentados. A Cruz Vermelha Internacional alerta ainda que há quatro milhões de iraquianos refugiados fora das fronteiras do país e muitos mais continuam sem acesso a água potável ou assistência médica.
“Há ainda muito trabalho para fazer, mas à medida que progredimos o povo iraquiano deve saber que conta com o apoio inabalável do Presidente Bush e dos EUA para consolidar a sua democracia”, acrescentou o vice-presidente.
Pouco depois de proferir estas palavras, uma mulher detonou os explosivos que transportava no centro de Kerbala, uma das cidades santuário para milhões de xiitas iraquianos, matando 40 pessoas e ferindo outras 71.
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