Chefe do governo basco promete diálogo com "todos os quadrantes políticos"

31.01.2007 - 14:58 Por Lusa
O chefe do governo basco, Juan José Ibarretxe, garantiu hoje que continuará a falar com "todos os quadrantes políticos", apesar de ter sido chamado pelo tribunal por se ter reunido com o ilegalizado Batasuna.
Ibarrexte é o primeiro "lehendakari" (chefe do governo) a depor em tribunal, na sequência da reunião de 19 de Abril do ano passado com representantes do Batasuna, o partido ilegalizado considerado o braço político da ETA.
Ibarretxe disse aos jornalistas ter explicado no tribunal que continuará "a falar com todos porque não há outro caminho" para a paz no País Basco.
"Só num país de loucos se pode prender um presidente por falar com as diferentes sensibilidades políticas", disse.
"Dei a minha palavra à sociedade basca de que ia falar com todos, e sobre tudo, para solucionar os problemas e procurar saídas. Fiz isso e continuarei a fazê-lo para procurar a paz", sublinhou.
O chefe do governo afirmou, várias vezes, que "não se pode criminalizar o diálogo" porque isso implicaria "estar a regressar a um passado destrutivo".
O responsável basco afirmou que a sua reunião com o Batasuna pretendia "encontrar a paz" e que o processo judicial "é uma barbaridade" que viola "o direito fundamental do 'lehendakari' de fazer política".
Em causa possível violação da ordem de ilegalização do Batasuna
Centenas de pessoas concentraram-se à porta do tribunal, onde estiveram ainda líderes de vários partidos políticos, o autarca de Bilbau e vários membros do governo basco, gritando vivas a Ibarretxe.
Do lado oposto, criticando o "lehendakari", encontrava-se um pequeno grupo de membros do Dignidade e Justiça, responsáveis pela denúncia da reunião entre Ibarretxe e o Batasuna.
O líder basco teve que dar explicações ao juiz sobre o encontro que manteve na sede da presidência do seu executivo, em Vitoria, com os membros do Batasuna Arnaldo Otegi, Pernando Barrena e Juan José Petrikorena.
O encontro decorreu no âmbito da ronda de conversações que Ibarretxe iniciou com os partidos bascos depois da declaração de cessar-fogo da ETA, no início de 2006.
O tribunal tem agora que considerar se aquela reunião desobedeceu à sentença de ilegalização do Batasuna, com base na Lei dos Partidos, ou se violou as medidas cautelares impostas que suspendiam as actividades do partido.


