Chefe da diplomacia francesa pede ao Presidente do Sudão para respeitar a decisão do TPI

14.07.2008 - 16:40 Por AFP
O chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, fez hoje um apelo a Omar el-Béchir para que respeite todas as decisões que forem tomadas pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), no dia em que o procurador Luis Moreno-Ocampo reclamou a emissão de um mandado de captura ao presidente sudanês.
“É uma decisão do Tribunal Penal Internacional que deve ser respeitada pelo presidente Béchir”, acrescentou Kouchner. “Ele deve acatar as recomendações do tribunal no seu todo”, especificou o responsável francês.
O procurador do TPI, Luis Moreno-Ocampo, reclamou hoje aos juízes a emissão de um mandado de captura contra o Presidente sudanês Omar el-Béchir por “genocídio” no Darfur (Sudão), uma acusação imediatamente rejeitada por Cartum.
“Apresentei hoje aos juízes elementos de prova que demonstram que o Presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad el-Béchir, cometeu crimes de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra no Darfur”, indicou o procurador argentino durante uma conferência de imprensa em Haia. “Pedi para emitirem um mandado de detenção” contra ele, acrescentou.
O Sudão rejeitou imediatamente as acusações e ameaçou com uma “reacção” se o assunto for levado às Nações Unidas.
Trata-se do primeiro pedido de detenção de um chefe de Estado em exercício diante do TPI, o único tribunal permanente competente para julgar os autores de crimes de guerra, contra a humanidade e genocídios.
Genocídio
Uma decisão dos juízes, baseada na consistência das provas apresentadas por Moreno-Ocampo, deverá ainda demorar alguns meses. “Nos campos, as forças de el-Béchir matam homens e violam mulheres. É preciso pôr um ponto final a esta história (…)”, afirmou Moreno-Ocampo, precisando que acusa Omar el-Béchir de três crimes de genocídio. Ele “utilizou o Exército” e “envolveu as milícias” para cometer genocídios, precisou o procurador do TPI.
“Aquilo que se passa no Darfur é a consequência da vontade de el-Béchir. O crime de genocídio é um crime de intenção (…) e nós vamos prová-lo, porque isso põe em perigo a vida das pessoas que vivem nos campos”, precisou, enquanto projectava vídeos em que se viam alguns dos refugiados do conflito enquanto eram interrogados.
Este anúncio acontece numa altura em que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou hoje estar inquieto acerca do futuro da força mista ONU-União Africana (Minuad), responsável pela manutenção da paz no Darfur (oeste do Sudão), em caso de acusações contra o homem-forte de Cartum. “Isso terá repercussões negativas muito sérias na operação de manutenção da paz e no processo político”, explicou numa entrevista ao jornal francês “Le Fígaro”.

