Chávez bloqueia negócios com a Colômbia em protesto contra a instalação de bases dos Estados Unidos

06.08.2009 - 09:22 Por Isabel Gorjão Santos
Hugo Chávez anunciou várias medidas económicas para protestar contra a instalação de sete bases norte-americanas na Colômbia e advertiu o Presidente norte-americano Barack Obama de que a presença militar dos Estados Unidos “pode causar uma guerra na América do Sul".
O Presidente colombiano Álvaro Uribe defende que os militares norte-americanos irão dar apoio no combate ao narcotráfico, mas o acordo militar está a deteriorar as relações entre Caracas e Bogotá.
Não é apenas o Presidente da Venezuela quem discorda da instalação de bases militares na vizinha Colômbia – o boliviano Evo Morales já disse que o combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) são “o melhor argumento” para justificar operações militares na região, enquanto o líder histórico cubano Fidel Castro considerou ser “um grave erro considerar que a Venezuela é a única ameaçada” pelo acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos.
O Peru anunciou que apoia o acordo militar entre os EUA e a Colômbia, enquanto o Chile e o Paraguai consideraram que essa é uma questão interna colombiana. Mas são de Hugo Chávez as críticas e as medidas mais duras.
Primeiro anunciou medidas económicas contra a Colômbia: impediu a importação de 10 mil carros colombianos e bloqueou a exploração petrolífera na região venezuelana de Orinoco por parte da empresa colombiana Ecopetrol.
Depois partiu para outras ameaças. “Estas bases militares podem ser o começo de uma guerra na América do Sul.” E acrescentou: “Estamos a falar dos yankees, a nação mais agressora da história da humanidade”, disse numa conferência de imprensa no Palácio de Miraflores, em Caracas.
Num recado a Washington, Chávez adiantou que “em vez de enviar mais soldados, mais armas e mais dinheiro para a Colômbia para que haja mais guerra e morte, os EUA deveriam fazer ver à Colômbia que poderia pôr-se à frente de um processo de paz” no conflito com as FARC, referiu o jornal espanhol "El País".
Acordos com a Rússia
Como resposta ao acordo militar entre os EUA e a Côlombia, Chávez disse ainda que está prestes e estabelecer, no próximo mês, “um acordo importante de fornecimento de armamento” com a Rússia. “Será um conjunto de acordos, não só de armas, para aumentar a nossa capacidade operacional, os nossos sistemas defensivos e a nossa defesa antiaérea.”
As relações entre a Venezuela e a Colômbia tornaram-se particularmente tensas no mês passado, depois de a Colômbia ter acusado a Venezuela de vender às FARC armas de fabrico sueco que foram encontradas em acampamentos dos guerrilheiros. Chávez mandou então regressar o embaixador em Bogotá, Gustavo Márquez, e substituiu importações da Colômbia por outras da Argentina e do Brasil, para além de qualificar como “irresponsáveis” as acusações do Governo colombiano.
O facto de vários lança-rockets de fabrico sueco terem sido encontrados nas mãos das FARC foi justificado pela Venezuela com um roubo ocorrido em 1995. Chávez mostrou um relatório em que é referido que “cinco lança-rrockets AT4” foram roubados da base militar de Cararabo, adiantou a AFP, junto à fronteira com a Colômbia e num incidente que terá custado a vida 14 militares venezuelanos.
Uribe explica acordo militar em vários países
Entretanto, o Presidente colombiano Álvaro Uribe iniciou um périplo por vários países da América Latina para explicar o acordo com os EUA para a instalação das bases militares. Começou ontem com uma visita ao Chile e Argentina, onde foi recebido pela Presidente Cristina Férnandez Kirchner, que não comentou o encontro embora fontes oficiais tenham recordado ao El País que “a Argentina sempre esteve contra a presença e instalação de bases militares na América Latina”, uma posição que estará “ainda mais justificada pelo clima de paz que se vive actualmente na região”.
Da Argentina, Uribe seguiu para Assunção, onde se encontrou com o Presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e hoje deverá ainda reunir-se com os homólogos do Uruguai, Tabare Vazquez, e do Brasil, Lula da Silva.


