Chávez anuncia "profunda revisão" das relações com Espanha 
14.11.2007 - 17:52 Por PUBLICO.PT, Agências
O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse hoje que Caracas está a rever as suas relações políticas e económicas com Espanha, abrindo uma nova escalada na polémica iniciada na Cimeira Ibero-Americana do fim-de-semana passado, quando o rei Juan Carlos o mandou calar.
“Estou a proceder a uma profunda revisão da relações políticas económicas e diplomáticas com Espanha”, afirmou Chávez, numa entrevista à televisão pública da Venezuela. “Isto significa que as empresas espanholas vão começar a prestar mais contas dos seus negócios e eu vou começar a ver o que elas estão aqui a fazer”, acrescentou.
Apesar de garantir que não quer pôr em causa a relação histórica com a antiga potência colonial, o Presidente venezuelano admitiu que os bancos espanhóis a operar no país são possíveis alvos deste reforço de fiscalização e acrescentou que a Venezuela não precisa dos investimentos espanhóis.
Espanha é um dos principais investidores estrangeiros na Venezuela, com importante presença em vários sectores da economia nacional, nomeadamente na exploração petrolífera. Segundo a Câmara de Comércio de Espanha, desde 1999 (ano em que Chávez foi eleito), os empresários do país investiram 2400 milhões de dólares na Venezuela.
O Grupo Santander tem investimentos na Venezuela avaliados em 700 milhões de dólares, enquanto os concorrentes do BBVA aplicaram 670 milhões. A gigante de telecomunicações Telefonica detém também a maior operadora de telemóveis do país.
Fontes citadas pela Reuters adiantam que o Governo espanhol, através de canais diplomáticos, está a tentar minimizar os danos causados pela polémica aberta sábado quando, em plena sessão plenária da cimeira, o rei Juan Carlos mandou calar o Presidente venezuelano, que insistia em chamar "fascista" ao ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar.
Insistindo na controvérsia, Chávez disse ser “obrigado” a rever as relações com um Governo que "se aliou a um fascista" e apelidou o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero de "insensato" por ter saído em defesa do seu antecessor.
Quanto ao monarca espanhol, o líder venezuelano voltou a exigir um pedido de desculpas, dizendo que a atitude de Juan Carlos mostra que o sentimento colonialista ainda não morreu. "Quando quis calar-me mostrou a prepotência daqueles que se acham mais do que os outros", sublinhou, citando pela edição online do diário "El Nacional".
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