O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima que 1400 imigrantes clandestinos, na sua maioria oriundos da Somália e Etiópia, tenham morrido afogados nos últimos 12 meses no golfo de Aden, junto à costa Sul do Iémen. Só no fim-de-semana passado, perto de 200 pessoas perderam a vida em dois naufrágios na zona.
“Este foi um ano trágico para o golfo de Aden. Até ao momento, temos indicação de que mais de 1400 pessoas tenham morrido. E estes são apenas números que registámos, na realidade podem ser mais”, declarou Astrid van Genderen Stort, porta-voz da agência da ONU, num comunicado emitido no dia em que se assinala o Dia Internacional do Migrante.
O impressionante número de vítimas acompanha um aumento dos fluxos migratórios entre o Corno de África e os países do Golfo Pérsico. O ACNUR adianta que, desde Janeiro, 300 embarcações, com 28.300 imigrantes, chegaram à costa do Iémen, vindas do Norte da Somália.
Trata-se de um número próximo do atingido em 2006, quando 29 mil imigrantes foram registados pelas autoridades iemenitas, que decidiram apertar o controlo das suas fronteiras marítimas. Face ao cerco policial, aumentam as denúncias de maus-tratos por parte de traficantes e proprietários das embarcações que não hesitam em obrigar os passageiros a saltar borda fora para fugir aos navios patrulha.
Os sobreviventes de um dos naufrágios do passado fim-de-semana contaram à polícia iemenita como os traficantes espancaram os passageiros durante a viagem, com as agressões a aumentarem à medida que as condições do mar pioravam.
O barco acabaria por embater num rocha quando tentava fugir a um navio patrulha, partindo-se em três, antes de se afundar. Dos 270 passageiros, 173 conseguiram atingir a costa, mas os restantes estão dados como desaparecidos.
No dia anterior, outra embarcação, com 148 pessoas a bordo virou-se junto à costa do Iémen, provocando a morte de 58 passageiros, a maioria de nacionalidade etíope. Outras 37 pessoas continuam desaparecidas.
O Iémen é visto por muitos africanos como uma porta de entrada para os países ricos do Golfo Pérsico e mesmo para a Europa e um número crescente de pessoas acabam por arriscar a vida na travessia.
O aumento da instabilidade no Corno de África nos últimos meses provocou um aumento do número de embarcações que deixam o porto de Bossasso, no Norte da Somália, considerado um dos piores centros de tráfico de seres humanos do país, perante a impotência das organizações humanitárias que trabalham na zona.


