Centenas de milhares de libaneses juntaram-se hoje na Praça dos Mártires, em Beirute, para assinalar o quatro aniversário da morte de Rafiq Hariri, o antigo primeiro-ministro libanês assassinado num enorme atentado.
A manifestação transformou-se num acto de apoio ao tribunal internacional que se dedica ao caso de Hariri e também de outras figuras, na maioria políticos e jornalistas anti-síria, assassinadas desde então.
Os políticos do bloco anti-síria, actualmente em maioria no Parlamento, pediram aos que se juntaram na Praça dos Mártires que apareçam em força nas eleições de Junho para fortalecer o bloco face aos rivais dos xiitas Hezbollah e Amal e seus aliados cristãos.
“Hoje estamos na Praça da Liberdade para dizer ao mártir Rafiq Hariri e a todos os mártires da luta pela independência: o tribunal internacional está quase”, disse o filho e herdeiro político de Hariri, Saad. “Chegou o tempo da verdade e da justiça”, garantiu.
O tribunal da ONU deverá abrir no dia 1 de Março. Foram detidos sete suspeitos na investigação levada a cabo pela ONU; entre eles há quatro generais, incluindo o antigo responsável pela segurança de Estado do Líbano. A investigação implicou ainda altos responsáveis da Síria. Damasco nega qualquer implicação e acusa Washington de usar o tribunal como arma política.
O maior atentado desde o final da guerra civil de 1975-90
O ataque na marginal de Beirute de 14 de Fevereiro de 2005 atingiu o carro onde seguia Rafiq Hariri e a força da explosão deixou uma enorme cratera no chão e matou ainda outras 22 pessoas a 14 de Fevereiro de 2005 – foi o pior ataque no Líbano desde o final da guerra civil de 1975-1990. A investigação da ONU diz que não havia maneira de um atentado daquela envergadura ser levado a cabo sem o conhecimento dos serviços secretos libaneses na altura dominados pela Síria.
Dos Estados Unidos, o Presidente, Barack Obama, prometeu na quinta-feira que apoiaria o tribunal da ONU, que vai funcionar em Haia.
“Partilhamos a dor com o povo libanês pela morte do primeiro-ministro Hariri, e partilhamos a convicção de que o seu sacrifício não foi em vão”, disse Obama em comunicado, na quinta-feira. “Os Estados Unidos apoiam totalmente o tribunal especial para o Líbano, cujo trabalho começará nas próximas semanas, para trazer à justiça os responsáveis por estes crime horrível e os que se seguiram.”



