O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje que está a acompanhar com "alguma preocupação" a "grave crise política" vivida em Timor-Leste, mas não fez mais declarações porque a situação pode tornar-se "diferente do que conhecemos hoje".
"Penso que não é conveniente fazer mais declarações sobre o que se está a passar, até porque a situação é muito volátil. Amanhã pode ser diferente daquilo que hoje conhecemos ou, pelo menos, que publicamente é conhecido hoje", disse, no final da sua primeira visita ao Exército enquanto chefe de Estado, que decorreu na base militar de Tancos, no distrito de Santarém.
Afirmando estar a "acompanhar em permanência" a situação, juntamente com o Governo, Cavaco Silva afirmou-se preocupado com a evolução recente dos acontecimentos em Timor-Leste, mas defendeu caber em primeiro lugar aos timorenses lidar com o assunto.
"Timor vive uma situação de grave crise política, mas devemos deixar os timorenses resolverem os problemas políticos que lhes dizem directamente respeito", acrescentou.
Cavaco Silva recordou ainda que a situação no território está a ser acompanhada pela ONU, que fará tudo "para trazer Timor para uma situação de mais calma e de menor sofrimento para a população".
Quanto à força da GNR enviada recentemente para o território, o Presidente considerou não existirem motivos para alterar "o entendimento que foi estabelecido inicialmente".
"Portugal está a desempenhar a missão que lhe foi solicitada para contribuir para a segurança na região de Díli e com a autorização das Nações Unidas", lembrou.
Depois de meses de crise política e militar, o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, ameaçou ontem demitir-se, durante o dia de hoje, se o primeiro-ministro Mari Alkatiri não o fizer. Alkatiri já se mostrou irredutível na decisão de se manter na chefia do Governo.
Numa mensagem ao país, Xanana Gusmão responsabilizou Alkatiri pela crise que o país atravessa, considerando que está em causa a sobrevivência do Estado de direito democrático, e afirmou que sente "vergonha" pelo que o Estado está a fazer ao povo.
Em reacção à posição assumida pelo Presidente da República, Mari Alkatiri rejeitou peremptoriamente a possibilidade de se demitir, justificando em declarações à Lusa que, perante uma situação "tão complexa", "uma decisão precipitada pode complicar ainda mais as coisas".



