O Presidente da República felicitou hoje o seu homólogo alemão pelo 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, afirmando esperar que este seja "um momento de reconfirmação" dos ideais que levaram ao derrube do "muro da vergonha".
Na missiva a Horst Koehler, Cavaco Silva sublinha que os acontecimentos de há duas décadas "tiveram o sinal daqueles que marcam e determinam o sentido da História".
"Aqueles que tiveram o privilégio de viver aqueles dias, com a emoção dos que acreditam na força da democracia e da liberdade, têm o dever de fazer desta celebração um momento de reconfirmação do compromisso com a permanente dignificação dos ideais que conduziram à queda do Muro de Berlim", escreve o chefe de Estado.
E acrescenta: "Será essa a melhor forma de estar à altura do exemplo dos que nunca se resignaram perante a brutal separação para que remetia o 'muro da vergonha', edificado em nome do medo e contra a liberdade". Para Cavaco Silva, a evolução no processo de integração europeia é ainda "um exemplo particularmente eloquente dos caminhos que a queda do Muro permitiu trilhar, em favor de uma Europa finalmente reconciliada consigo própria".
"Nesta data de tão grande valor simbólico, quero, por este meio, associar-me ao justificado júbilo do Povo alemão, reiterando-lhe, Senhor Presidente, as minhas mais calorosas felicitações e a expressão da minha particular consideração e estima pessoal".
A Alemanha comemora hoje, com o derrube simbólico de um dominó gigante, o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, acontecimento que pôs fim à chamada Guerra Fria e alterou o xadrez político mundial.
O Muro de Berlim, também conhecido no ocidente por Muro da Vergonha, começou a ser construído a 13 de Agosto de 1961 pelas autoridades comunistas da República Democrática Alemã (RDA), alegadamente para "pôr fim às provocações revanchistas" da Alemanha Federal e de Berlim-Oeste.
Na realidade, porém, o regime comunista pretendia travar o enorme fluxo migratório de alemães do leste para o Ocidente, devido ao descontentamento da população da RDA pela falta de liberdades e penúria económica. Desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945, cerca de 3,5 milhões de alemães de leste rumaram ao Ocidente, virando as costas às promessas igualitárias do Partido Comunista da RDA.


